29 de dezembro de 2005

Saúde e sucesso!

Nessas mensagens de fim de ano, costumo desejar saúde e sucesso pras pessoas. Sobre a saúde, é aquela velha conversa. Cada um tem que se cuidar o quanto pode, parar de se entupir de chopp e pizza (pelo menos reduzir pra uma vez por semana), comer alface, correr a São Silvestre, essas coisas. Mas a saúde é um processo normalmente lento. Não dá pra mudar de um dia pro outro.
Já o sucesso encaro de forma diferente. Pode mudar não só de um dia pro outro, mas até de uma hora pra outra. Quando desejo que as pessoas tenham sucesso na vida, de fato estou desejando que façam o que gostam de fazer, trabalhem no que gostam, sejam o que querem ser. Pensa que é fácil? Pois não é. E não é porque o sucesso é uma soma de fatores, ou melhor, você pode separar o sucesso em diversos aspectos da vida como se eles fossem sucessos independentes, mas freqüentemente uma decisão que traga sucesso pra um aspecto da vida pode não trazer pra outro. Humm. Tô filosófico hoje, né? É o fim de ano. Deixa quieto. Outro dia falo sobre isso.
Sabe aquelas pessoas que têm sucesso na vida profissional? Elas podem ser famosas, ricas (e até mesmo ricas e famosas, claro), ou mesmo pobres anônimas. Podem ser simples como o gari que dá show na Sapucaí, elegantes como a Hebe, ricos como o Luciano Huck, ou famosos como o Ronaldo. O importante é que pessoas com sucesso profissional são realizadas com o trabalho que fazem. Desejo esse sucesso às pessoas.
Mas ter sucesso na vida não é só ter sucesso na profissão. É ter sucesso na vida pessoal também. É viver bem com a família e os amigos (o que nem sempre é fácil), é gostar de conhecer outras pessoas (o que nem sempre dá tempo), outras culturas (para o que nem sempre sobra tempo e dinheiro). Enfim, é aproveitar a vida do jeito que você gosta. É aquilo de buscar o sonho, de gostar das pequenas coisas, de sentir prazer todo dia. Também desejo esse sucesso às pessoas.
Acho que sucesso não é uma coisa tipo conquistou-acabou, não é como uma coisa que você pega, põe na prateleira e diz: “eu tenho sucesso”. É uma coisa constante, é uma busca. São as batalhas de uma guerra. É a luta pela paz e pela justiça. É a certeza de que a tempestade sempre dá lugar ao sol. É a esperança de que o amor sempre vença no final.
Busque. Lute. Sonhe. Ame. Quando você olhar pra trás, vai ver o sucesso que teve na vida.

Revendo a vida

Estou querendo fugir do lugar comum que é fazer um balanço do ano que está terminando e escrever resoluções para o novo ano (resoluções essas que tem uma enorme probabilidade de não serem efetivadas). Não! Não quero fazer isso! De fato quero mesmo é fazer um balanço de vida.

Mas não quero ser profunda demais, quero apenas falar sobre as coisas boas e ruins que aconteceram... Uhm... Talvez só fale sobre as coisas boas, as ruins é melhor deixar pra lá...

Quero falar dos momentos marcantes e das pessoas que fizeram diferença. Falar das conquistas e daqueles que deram suporte para chegar lá. Falar do meu amor...
Mas quando paro para enumerar cada um dos momentos, cada uma das pessoas, cada uma das conquistas,... concluo que meus momentos não são diferentes dos de ninguém (e porque seriam?). Tudo igual a todo mundo.

Então mudo de idéia.

Bom mesmo seria poder fazer um clipe com as imagens que tenho na minha cabeça e exibi-lo aqui. Acho que aí sim! Talvez fosse possível mostrar tudo que sinto. Acompanhe comigo: iniciaria com imagens do nascimento, infância, vestibular, formatura, casamento, nascimento do pequeno, nova casa, e por ai vai... e como música de fundo “Perhaps Love”1. Totalmente brega e totalmente emocionante... E no final entraria o texto em letras douradas (eu disse que era brega):

“De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me preocupe
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”2

Acho que aí ficaria claro que sou uma pessoa de muita sorte por ter vivido tudo o que já vivi e, acima de tudo, por ter o meu grande amor. Um grande bj e Feliz 2006.

1. Perhaps Love(John Denver)
(...)
Perhaps love is like the ocean
Full of conflict, full of pain
Like a fire when it`s cold outside
Or thunder when it rain
If I should live forever
And all my dreams come true
My memories of love will be of you
(...)

2. Soneto da Fidelidade (Vinícius de Moraes)

28 de dezembro de 2005

Pausa para leitura...

Queridos! Hoje não tem post porque os dois escrevinhadores deste blog estão animadíssimos lendo livrinhos super-hiper pop e super-hiper divertidos.
Essa que vos fala está dando total atenção ao Sr. Michael Crichton em “Estado de Medo” e o maridão está às voltas com o Sr. Dan Brown em “Ponto de Impacto”. Assim que finalizarmos as leituras postaremos nossas modestas opiniões.

Um grande bj e até a próxima.

27 de dezembro de 2005

Copa de 2006

Outro ano novo está chegando. Acho que 2006 vai ser um ano bom, mesmo que não coloquemos outra estrelinha na camisa amarela. Claro que eu vou torcer, ficar rouco de tanto gritar, haja coração, aquele troço todo, mas não sou bobo, e sei que o futebol não é só o que acontece dentro de campo. Vide o campeonato brasileiro de 2005 (que putaria nojenta!) e até mesmo o nosso inexplicável vexame na final da copa de 98. Outros fatores de peso mexem nos resultados. Não acho que os alemães estejam gastando uma fortuna pra sediar a copa sem querer levar nada em troca. É claro que eles estão armando pra serem campeões.
− Dããã! Não, eles querem sair na primeira fase, sua besta! Cê tá falando o óbvio!
− Ah é!? Então quer dizer que os EUA queriam ganhar a copa de 94, ou melhor ainda, que o Japão e a Coréia do Sul queriam ambos ganhar a copa de 2002? Ah, pára e pensa! Humm... Bom, os americanos até podiam querer ganhar a copa, mas eles são meio lesados mesmo. Acham que podem tudo só porque são os donos do mundo.

E digo mais, os alemães querem que a final seja contra a nossa seleção. Ganhar em cima do Brasil é mais gostoso. É tipo Davi contra Golias. Cê acha que alguma nação foi mais feliz algum dia na vida do que a França no dia da final contra o Brasil? Pois bem. Acha que eu tô maluco? Então tá. Humpf. Vamos aguardar pra ver. Enquanto isso, vou torcer pros meninos se prepararem bem, e jogarem a bola que nós sabemos que eles sabem jogar. Ô Parreira, vamos pelo menos levar pros pênaltis! Ah, quê isso... vâmo ganháaaaaaaaaa! Pedaaaaaala Robinho!

Mão à palmatória

Eu relutei muito, mas acabei aceitando: Bruna Surfistinha se tornou uma mania nacional. Por esse motivo não adianta tentar ignorá-la. Para aqueles desavisados que têm andado pelo mundo da lua nos últimos meses, Bruna Surfistinha (na verdade Raquel) é uma menina de classe média-alta que largou a família adotiva e decidiu ser garota de programa. Ela ficou famosa quando passou a escrever suas aventuras em um blog e este se tornou o segundo blog mais acessado do país. Como resultado a história dela ficou conhecida pelos quatro cantos da nação e a Bruna (ou Raquel) terminou por abandonar a carreira e lançou um livro contando a história da sua vida: “O doce veneno do escorpião”, que também já figura entre os best-sellers nacionais.
Vejam vocês, eu já conhecia o blog da Bruna fazia um tempo, porque o maridão gostava de ler e sempre me mostrava. Até li algumas vezes, mas tenho que admitir que não me atraiu muito. Talvez porque o apelo seja para o público masculino... sei lá. Mas não tenho nenhum problema em aceitar isso. Assim, quando o livro foi lançado, o maridão comprou e leu rapidamente (até porque o livro é bastante simples e de leitura extremamente fácil) e ficou largado lá em casa.

Depois de muito ouvir a mídia falar sobre o livro e sobre a autora (até vi uma entrevista que ela deu no programa do Gilberto Barros – Boa Noite Brasil) decidi ler o bendito. Confesso que estava cheia de pré-conceitos (não com respeito à ex-profissão da moça, mas com respeito à qualidade literária do escrito) antes de iniciar a leitura.

Agora, tendo terminado, minhas conclusões mudaram de foco. No final não dei muita atenção à qualidade do texto, mas ao conteúdo. E meu veredicto é o seguinte: vale a pena ler, e vou dizer os motivos. Em primeiro lugar, tenho que louvar a Raquel por ter exposto sua vida e sua identidade de forma assim, tão ampla. Como disseram lá em casa, ela deu a cara à tapa. Em segundo lugar, é muito importante para quem tem filhos (e filhas principalmente) ver que um pequeno (ou grande, no caso) déficit de comunicação pode gerar um efeito catastrófico na vida de nossos rebentos. Por fim fiquei tocada de ver uma menina (menina mesmo, jovem e pouco experiente – não sexualmente falando) tão desorientada e tão carente de uma família (na verdade, tão saudosa da família que ela deixou). Como resultado, passei a ler o blog, não diariamente, mas eventualmente.

E para terminar, faço votos de que a Raquel consiga tocar a vida adiante de forma honesta e honrosa, como ela tem feito. Desejo ainda que ela consiga re-encontrar a família que perdeu. Quem sabe ainda haja tempo para reverter as mágoas. Por fim, desejo um Feliz 2006.

Um grande bj e até a próxima.

26 de dezembro de 2005

Post de macho-superior-dominante sobre o Natal

O Natal desse ano foi muito bom.
(Tá achando que vou escrever um post fofinho decorado com bolinhas coloridas, luzes piscantes e fita vermelha? Errou! Vou escrever um post de macho, com grosserias, mal-humorado e carrancudo).
Dia 24 pela manhã, fui incumbido de uma missão de vital importância para toda a família, missão esta que possuía desdobramentos tão complexos e intrincados que pareciam delineados pelo Dan Brown. Como todo herói que preste, não trabalhei sozinho. Tive a inestimável ajuda do meu pai. A missão consistia em buscar itens fundamentais para a conclusão da ceia natalina. Claro, o que que você achou que podia ser? Então. A missão era: buscar os pães de rabanada que foram encomendados na padaria (é, parece que na roça não é comum fazer rabanada... vai entender), buscar a torta de frango com palmito que também foi encomendada (só que em outro canto), comprar coentro, salsinha e cebolinha no mercadão pra temperar os bolinhos de bacalhau, e por último... o que era mesmo? ah, sim! comprar canela em pó para, misturada ao açúcar, ser polvilhada sobre as rabanadas já fritas. Fizemos uma rápida consulta ao GPS pra descobrir o ponto ideal de estacionamento, de forma que ficássemos eqüidistantes de todos os destinos da missão. Isso significa dizer que ficamos longe de tudo, não só porque o trânsito estava um inferno, mas também porque - e tenho plena certeza disso - todos os moradores da cidade tiraram seus carros das garagens só pra ocupar as vagas do centro. Após longas horas de caminhada, e após ainda mais longas horas esperando que a torta de frango terminasse de assar, retornamos ao quartel-general com todos os elementos da missão sob nossa custódia. Inclusive a canela em pó.
Durante a tarde, estávamos de volta às nossas atividades normais de macho, tipo rachar lenha ou regular o carburador e tal, quando subitamente a fêmea surge na porta da garagem, com os pulsos apoiados nos quadris e com a ponta do pé direito tamborilando no chão, vociferando:
− CADÊ A CANELA? CÊ ESQUECEU DE COMPRAR A CANELA! CUMÉQUEU VOU FAZER A RABANADA AGORA?
Após uns segundos muito úteis para que o coração voltasse a bater novamente, já recomposto do susto, respondo com segurança:
− Tá na sacola do coentro. Cê procurou lá?

No dia que cê cumpre a missão à risca, sem esquecer nada, ainda leva bronca. Acho que ela faz isso só pra lembrar quem é que manda. Apesar de que ela nunca me deixa esquecer. Bah, xapralá.
Mas esse papo da canela rendeu boas risadas na hora da ceia.

Balanço de Natal

Antes de qualquer coisa gostaria de pedir desculpas aos nossos queridos leitores por não termos desejado Feliz Natal antes da data festiva. Na verdade estávamos um pouco atarefados e meio sem vontade de escrever mesmo...

Hoje vou falar como foi o nosso Natal. No início de novembro eu comentei aqui as minhas expectativas sobre as comemorações natalinas, logo vocês já estão familiarizados com o carinho especial que eu tenho por essa época do ano.

Então. Na verdade eu geralmente fico mais empolgada com os preparativos do que com a data em si. Mas esse ano foi totalmente diferente. Curti de montão a véspera de Natal e vou dizer por que: comprovei que Natal com criança é tudo de bom. O que acontece é que quando a família não tem nenhum pimpolho fica muito sem graça esperar o Papai Noel. Mas quando temos uma carinha de expectativa tudo muda de figura. Eu sou filha única e a caçula dos primos. Logo não tive a oportunidade de presenciar um Natal para criança sem ser a própria. Por isso eu não sabia o quanto ia ser bacana.

Para resumir, nós compramos um mega-carro para o pequeno e fizemos um embrulho gigante (muito maior do que ele), além disso o esquadrão de avôs comprou um zilhão de outros pequenos presentes. Esperamos anoitecer (como ele é muito novinho ainda, a passagem do Sr. Noel não podia ser muito tarde) e chamamos o pequeno, colocamos sapatinho na árvore e pronto. Uma pequena distração foi suficiente para colocar tudo na árvore. Ai foi só nos deliciarmos com a carinha de surpresa que ele fazia a cada pacote que descobria...

O dia seguinte foi de total ressaca de felicidade. Passamos muito tempo namorado o pequeno e brincando de carrinhos (eu descobri que brincar de carrinho pode ser muito divertido...).

Agora mal posso esperar pelo próximo Natal (e pela Páscoa, pelo Aniversário, pelo Dia das Crianças,...). Um grande bj e até a próxima.

21 de dezembro de 2005

Dueto

Tomei a liberdade de colocar uma letra de música aqui. Não sei se é de bom tom, quiçá de bom gosto, mas e daí? Gosto da música e gosto do Chico. Então lá vai...

Dueto
Chico Buarque/1979
Para a peça O Rei de Ramos, de Dias Gomes


Ela:
Consta nos astros
Nos signos
Nos búzios
Eu li num anúncio
Eu vi no espelho
Tá lá no evangelho
Garantem os orixás
Serás o meu amor
Serás a minha paz
Ele:
Consta nos autos
Nas bulas
Nos dogmas
Eu fiz uma tese
Eu li num tratado
Está computado
Nos dados oficiais
Serás o meu amor
Serás a minha paz
Ela: Mas se a ciência provar o contrário
Ele: E se o calendário nos contrariar
Os dois:
Mas se o destino insistir
Em nos separar
Danem-se
Ela: Os astros
Ele: Os autos
Ela: Os signos
Ele: Os dogmas
Ela: Os búzios
Ele: As bulas
Ela: Anúncios
Ele: Tratados
Ela: Ciganas
Ele: Projetos
Ela: Profetas
Ele: Sinopses
Ela: Espelhos
Os dois:
Se dane o evangelho
E todos os orixás
Serás o meu amor
Serás, amor, a minha paz
Ele: Consta na pauta
Ela: No Karma
Ele: Na carne
Ela: Passou na novela
Ele: Está no seguro
Ela: Pixaram no muro
Os dois:
Serás o meu amor
Serás a minha paz
Ele: Consta nos mapas
Ela: Nos lábios
Ele: Nos lápis
Ela: Consta nos Óvnis
Ele: No Pravda
Ela: Na vodca

19 de dezembro de 2005

Exemplos

Nossa! Tem dias que é tão difícil falar sobre qualquer coisa... Sabe aqueles dias que você queria sumir? Ou quem sabe entrar em uma caverna e hibernar o inverno inteiro como um urso. Pois é! Tô nesses dias. Apesar de que pode ser só TPM mesmo... Sei lá! Acho que pra resumir posso dizer que tô borocoxô (segundo o Housaiss, borocoxô é adjetivo para que ou quem é ou está desanimado; aborrecido). Por isso, o post de hoje vai ficar assim... meio mais ou menos. Mas, de todo jeito, achei que devia escrever pra não abandonar nosso blog (tão novinho e tão bonitinho) sozinho e desamparado.

Então vou usar como tema um livro que estou lendo no momento (na verdade estou lendo três livros ao mesmo tempo – ah! eu sou normal, tem um monte de gente que faz isso tá?!). Bem, como eu ia dizendo, o livro é “Mulheres que mudaram o mundo” do Gabriel Chalita. Vou ser bastante honesta: o livro é meio mal-escrito (sei lá, acho que o cara fez uma compilação de biografias e ficou um tanto quanto sem nexo). Mas deixando este ponto de lado, o livro é interessante, uma vez que fala sobre a vida de algumas mulheres realmente notáveis. Algumas eu conhecia, outras nunca tinha ouvido falar.

Fiquei especialmente comovida com a história de vida de uma mulher chamada Helen Keller. É incrível a capacidade que alguns seres humanos possuem para transpor obstáculos que a maioria julga impossível. Helen Keller é um desses seres humanos. Juntamente com Annes Sullivan, sua professora, Helen conseguiu vencer a cegueira e a surdes que lhe haviam sentenciado a uma vida de isolamento, ainda quando bebê. Esta mulher ímpar foi capaz de aprender a se comunicar com o mundo. Melhor que isso, Helen escreveu diversos livros e aprendeu a falar, o que tornou possível que ela fizesse palestras voltadas para a melhoria de vida de pessoas com deficiências físicas. Ela mesma escreveu sua biografia “A história da minha vida”. Suponho que seja um livro imperdível, que já está na minha lista de livros a serem lidos.

Pensando agora sobre as minhas tristezas e comparando com a vida de uma mulher tão fantástica só me resta concluir que eu não tenho o direito de perder tempo de minha vida perfeita e saudável com coisinhas tão pequenas. Um grande bj e até a próxima.

15 de dezembro de 2005

Garotas Que Dizem Ni - Parte II

Façam o que a patroa falou. Leiam o post Por que vocês são assim? do Garotas Que Dizem Ni. Segue abaixo meus comentários do fórum.

Me amarrei no post, e mais ainda nos comentários. Só tenho algumas cosiderações a fazer.

Costumo pensar que muitas das opiniões são frutos do ponto de vista. Quando mudamos esse ponto de vista, automaticamente passamos a enxergar tudo diferente. Vejamos como isso pode funcionar.
No meu caso, eu e a patroa sabemos das limitações um do outro, e várias delas já foram faladas. Porém, ao invés de salientar essas limitações, mudamos o ponto de vista procurando minimizar a importância delas e, aí sim, salientar as coisas fantásticas que o outro sabe fazer. Quer exemplos? Tá, vou citar alguns.

Ela não gosta de dirigir, e não aprendeu a manobrar. Não tem problema. Eu gosto de cuidar do carro, e gosto mais ainda de dirigir pra ela. Qual seria a graça de ficar andando de carona sem poder falar nada, com ela dirigindo altamente compenetrada, e ainda por cima sem poder escutar música alta?

Outro. Ela não lê manuais. Nunca. Nem do próprio telefone celular. Quanto mais o manual do amplificador da sala, que apesar de simples e de fácil leitura (em inglês), é mais volumoso que a coleção do Sidney Sheldon toda junta. Não tem problema. Leio tudo, aprendo a usar todas as funções (mesmo sabendo que no dia-a-dia apertamos só o power e mexemos no volume), e sempre que ela precisa mudar de Loudness pra Midnight pra não acordar o moleque, eu ajudo.

Da mesma forma, ela já sabe que não adianta ficar tentando me explicar como é que se faz o refogado pra cozinha sei-lá-o-quê. Tenho um bloqueio com fogão. (Aliás, outro dia falei sobre isso lá no nosso blog). Como fazemos então? Fico na cozinha com ela, e enquanto ela faz o rango, eu sirvo a cerveja pra nós e aproveitamos pra botar os assuntos em dia.

Tem muitas outras coisas que funcionam assim, mas acho que daria um livro.

De todo jeito, é claro que, vez ou outra, fico meio brabo por ela estacionar a bolsa na bancada da cozinha, e ela se irrita quando pergunto pelo meu chinelo nômade. Mas é normal.

Garotas Que Dizem Ni - Parte I

Lendo o post da Vivi Griswold, escrito no dia 14/12/2005, com o título Por que vocês são assim?, tive que escrever minhas opiniões. Segue resposta enviada ao fórum das Garotas Que Dizem Ni. Recomendo fortemente a leitura deste post e de todos os demais das Garotas... Fazem muito bem pra saúde e pro humor. Um grande bj e até a próxima.

Eu adoraria concordar com a lista completa e dizer que o maridão se enquadra perfeitamente na classe descrita no post, mas tenho que admitir que ele não está incluído em um montão delas e que eu talvez me inclua em algumas. Aí vão as repostas:

1. por que vocês acham que podem consertar/montar/ajustar/trocar tudo?
Bem, o maridão não é muito de consertar. Apesar de que, vez por outra, ele saia com uma idéia sobre pintar as grades da casa. Mas não chego a me afligir, porque sei que logo essas idéias são substituídas por um bom filminho na TV ou um cochilo reparador após o almoço de domingo.

2. por que vocês querem tudo na hora?
Ai! Nesse caso sou obrigada a concordar. O copo d’água tem que vir na hora do pedido, assim como o pano pra limpar o carro, o balde para a mesma finalidade, ou a roupa para vestir. Aliás, não tem compromisso que tenhamos que ele não pergunte: Amor, que roupa eu ponho? Céus!

3. por que vocês nunca guardam as coisas em seus devidos lugares?
Ih! Nessa eu me ferrei! Sabe o que é... Lá em casa quem guarda tudo no lugar é o maridão. Não adianta! Acho que tenho um lado masculino que se manifesta na hora de guardar coisas. Aquela bagunça na mesinha da sala, quem faz sou eu...

4. por que vocês não podem nos ver sentadas?
Ah há! Vai saber?! Não dá pra entender. Basta que eu me acomode pra começar a ver aquele filme aguardado e lá vem aquele pedido manhoso: - Amor, faz uma pipoquinha.

5. por que vocês não conseguem encontrar nada sozinhos?
Bom, acho que nessa não existe homem que não se enquadre. É fisiológico! Mesmo sendo o maridão quem guarda as tralhas todas, não há meios de ele encontrar o que está procurando. Conversa típica: - Amor, onde tá o requeijão. – Tá na geladeira. – Mas onde?. – Esquece, deixa que eu pego.

6. por que vocês acham que estão sempre certos?
Eu sinceramente não sei se esta pergunta tem resposta. Vai ver também é fisiológico.

7. por que vocês querem uma explicação científica para tudo?
Me ferrei de novo! Novamente meu lado masculino sobressaindo ao feminino. Na verdade, eu também tenho minhas teorias científicas para explicar de tudo... Sabe como é (rs)?!

8. por que vocês jamais colocam água na forminha de gelo?
Olha a danizinha com comportamento maccho de novo... eu NUNCA ponho água nas forminhas de gelo! Também não encho o filtro ou as garrafas de água da geladeira. Eu sei... Triste para a classe feminina, mas sou obrigada a admitir.

9. por que vocês acham que fogão morde?
Outra pergunta filosófica que talvez jamais tenha uma resposta. Mas o maridão tem suas próprias teorias a esse respeito. Talvez seja melhor ele mesmo explicá-las aqui (ou vejam em: ).

10. por que vocês parecem doentes terminais quando estão gripados?
Gripe! Jesus amado!! Parece que o mundo vai acabar. Só escuto: - Ai, acho que vou morrer!

14 de dezembro de 2005

Culinária II

Não posso deixar passar. Tenho que fazer uma retificação. Não sou um completo zero à esquerda na cozinha. Humm. Tá, na cozinha sou, mas tô me referindo à culinária de uma forma geral, e assim sendo comunico que nesse quesito observei evoluções dignas de causarem espanto a Darwin.

Desde que fomos morar no nosso lar atual, meu passatempo predileto dos fins-de-semana é acender o fogão de lenha. Não importa pra quê. Fritar bife de picanha na chapa, fazer a comida do domingo na panela de ferro, ou então, meu preferido sem sombra de dúvidas, assar as pizzas no forno sábado à noite. (Cê tá achando que a gente come o tempo todo no sábado e domingo, né? Nah, impressão sua.) Claro que não necessariamente, porém preferencialmente, fazemos todas essas coisas no mesmo fim-de-semana. Então. Quem toma conta do fogo sou eu. Tiro as cinzas que sobraram da comilança anterior, faço o ritual de acendimento (que inclui passos de dança e cantos de louvor ao deus do fogo, caso contrário aquela porqueira não acende), espero esquentar (o que leva incontáveis minutos), espalho o fogo pro fogão todo (operação esta que vez ou outra provoca o apagamento espontâneo de tudo), e por fim, já mais preto, sujo e fedido que um carvoeiro, declaro que o fogão tá aceso. Depois disso só fico tomando conta, meio que malandramente. De tempos em tempos taco mais um tôco no fogo, e assim vai até que todos estejam bêbados de comer. Não sei se isso é muito louvável, mas pra quem sempre teve medo de fogo, é uma vitória.

Pois bem. Outro dia fomos convidados por um amigo pra uma tarde de pizza na casa dele. Coisa chique, com direito a chopp e tudo mais. Detalhe. O forno dele é aquele apropriado pra pizza (vê aí na foto pra entender). Pra quem não sabe, a diferença crucial desse forno pros outros é a forma de assar. A pizza não é assada por baixo, e sim por cima, e numa temperatura muito maior por causa das labaredas próximas. Então o detalhe é que assa muito, mas muito rápido mesmo. E pra não deixar a pizza virar carvão, tem que ter a manha de rodar ela dentro do forno. Já tinha visto fazerem de outras vezes, mas nunca tinha tentado fazer eu mesmo. Dessa vez eu me aventurei, e sabe quem acabou assando pizza a tarde toda? Heim? Heim? Eu! E não deixei queimar nenhuma! Rá! Fui elogiado e tudo. Ainda tirava onda. Perguntava assim: “cê quer molinha ou crocante?” Ah, moleque! Me senti o verdadeiro pizzaiolo.

Isso conta como dote culinário, não conta? Não!? Ah, pra mim conta.

Quase balzaquiana

Tava lendo o último post da Publicitária (que na verdade vem a ser minha cunhada. aliás, tô começando a achar que esse negócio de blog virou uma mania familiar...) e me inspirei em escrever sobre minhas resoluções sobre os próximos 5 anos da minha vida. É que no ano que vem eu também vou completar 30 primaveras. Logo, estou para me tornar uma balzaquiana1 e é nesses momentos que começam a pintar as primeiras neuras com respeito à idade. Sabe, eu nunca me preocupei com rugas ou cabelos brancos, até que eles começaram a aparecer. Eu quero dizer os cabelos brancos, porque as rugas ainda não deram o ar da graça, mas eu sei que estão dobrando a esquina. Assim, quando vi o primeiro fio branco não vacilei, arranquei na hora. Mas eu sei que isso não resolve nada, porque existe um exército de cabelos brancos prontos para tomar de assalto minha cabecinha, e de nada adianta abater apenas um soldado.

Então. Como eu ia dizendo, estou planejando algumas modificações na vinha vida para os próximos cinco anos, iniciando a contagem em 2006. Nessa lista constam itens como perder 20 quilos (isso tudo mesmo!), ter outro pimpolho (o pequeno precisa de um irmãozinho) e fazer uma recauchutagem (do tipo levanta daqui, estica dali e bota tudo no lugar). Com isso espero chegar a 2010 com, digamos..., tudo em cima! E isso vai ser uma grande revolução pra mim, porque nunca tive tudo em cima. Gordinha desde a adolescência, passando por uma fazer quase-magra, e retornando para as gordurinhas, nunca tive o prazer de usar aquele vestido tomara-que-caia ou aquele decote mais ousado.

Como vocês podem ver, estou com tudo aqui na cachola. Só nos resta saber se vai ser possível implementar esse planejamento fantástico no prazo estipulado. Mas tudo bem! Mesmo que ocorra um imprevisto daqui ou um atraso dali, acho que vou conseguir me tornar uma trintona caprichada.

No fim de tudo eu espero poder fundamentar a teoria de Balzac a respeito do amadurecimento e da plenitude no amor. Mas com certeza é o maridão quem vai gostar (rs). Um grande bj e até a próxima.



1. De onde vem a expressão balzaquiana? O termo balzaquiana é aplicado às mulheres que estão na faixa dos 30 anos. Porém, nem todos sabem que a expressão foi cunhada após a publicação de um livro do francês Honoré de Balzac. Em As Mulheres de 30 Anos, o escritor realiza uma análise do destino das jovens na primeira metade do século XIX, em particular dentro do casamento. E faz uma apologia às mulheres de mais idade, que, amadurecidas, podem viver o amor com maior plenitude. É o que acontece à heroína da narrativa, Júlia. Ela se casa com um oficial do exército, mas depois descobre que a relação está longe de ser o que imaginava. Vê-se, então, presa a um matrimônio infeliz. Quando se torna uma trintona, porém, a moça consegue encontrar o amor nos braços de Carlos Vandenesse. Fonte: Guia do Curioso

13 de dezembro de 2005

Agradecimentos

Pausa nos textos divertidos/introspectivos para podermos agradecer aos nossos dois leitores (uma estimativa bastante aproximada da realidade) por terem linkado As Coisas de Nós Dois em seus respectivos blogs.

Lukas
agradecemos pela preferência. Nem sabemos como você encontrou esse humilde blog dentre os 3 bilhões de blogs existentes, mas ficamos extremamente lisonjeados de encontrar nosso link em seus preferidos.

Dayday,
ficamos até emocionados lendo o seu comentário no orkut sobre Nós Dois. Muito obrigada e volte sempre que quiser.

Aproveitamos para abrir espaço para as críticas. Comentem quando não gostarem do que leram aqui. Agradeceríamos, ainda, se os nossos visitantes deixassem recadinhos, para sabermos se estamos agradando ou se devemos tirar o time de campo.

No mais, estamos felizes em ver que alguém está lendo essa porqueira aqui... Sabe como é. Todo mundo começa um blog sem esperanças de ser lido e diz: Nem ligo, vou escrever só por escrever. Mas quando a gente vê que tem pessoas lendo e gostando do que lêem, não dá pra disfarçar a alegria e o sorriso estampado. Obrigada!

Um grande bj e até a próxima.

Culinária

Acho que sou um completo zero à esquerda no quesito culinária. Pois é, eu sei. É vergonhoso um cara nessa idade não saber nem fritar ovo, ou fazer um arrozinho, mas é um fato. Quando mais novo, eu tinha medo do fogão. Não que eu pensasse que ele ia me engolir vivo com aquele bocão do forno, mas é que eu nunca fui muito chegado em ficar sentindo aquele calor infernal nos braços e nas mãos. Uns dias atrás, perguntei o que viria a ser “refogar”. Só que perguntei por pura curiosidade. Nunca tive a intenção de refogar nada. Podia ter lido no dicionário, mas não. Tinha que perguntar. Agora ela tá toda animada querendo me dar aula de culinária no fim de semana. Imagina só como vai ser a aula.
− Pica um pouco de cebola, pimentão, alho e tomate pra fazer o molho.
− Tá bom. Um pouco quanto? Um de cada?
− Tá maluco? Vai botar um pimentão inteiro se você nem gosta de pimentão? Bota uma cebola, dois dentes de alho, um pedaço pequeno de pimentão e três tomates.
− Hum, agora ficou mais fácil. A cebola não vai ficar escassa não? Mania de botar pouca cebola!
− Bota o quanto cê quiser então. Humpf.
− Tá. Hehe.
− ...
− Pronto.
− Agora bota a panela pra esquentar.
− Beleza. Onde é o botão de Power? Como é que liga essa boca aqui?
Argh! Aqui ó. Cê consegue trocar de marcha fazendo curva mas não sabe ligar o fogão. Pronto. Quando tiver quente, bota o azeite na panela.
− Hum, e como é que eu vou saber que a panela tá quente?
Bota tua mão aí dentro até fazer bolha! Ah, é só deixar um pouco que ela esquenta rápido. Já tá bom, me passa o azeite agora. Ei, quem tá cozinhando é você! Larga essa revista e volta aqui!
− Ô amor, tô aqui. Só lembrei de ver se caiu o preço dos auto-falantes que tô querendo comprar pro carro. Não que você vá deixar, né! Já pode botar os temperos?
− Pode. Despeja devagar pra não espirrar. Depois acrescenta o sal.
− AAHHHHHHH!! Esse treco espirra tudo! Pra quê botar devagar se vai espirrar do mesmo jeito?
− Não espirrou nada. Você se assustou com o calor e o barulho!
− Mas cê não falou nada de barulho! Eu não adivinho!
− Tá, deixa que eu faço então! Frescura por causa de um calorzinho na mão!
Como é que vou fugir dessa? Medo!

12 de dezembro de 2005

Confraternizações

Tem umas coisas na vida que a gente não tem como fugir, como casamentos, batizados e formaturas em geral (olha, eu não estou sendo chata não, até gosto de algumas dessas comemorações. Mas vamos combinar uma coisa: tem que ter paciência pra ouvir padre chato e discurso de professor homenageado). Mas, na categoria de eventos desagradáveis, as Festas de Confraternização são imbatíveis. Todo ano tem pelos menos uma e nunca dá pra escapar. É preciso respirar fundo, preparar aquele sorriso colgate e ir lá, participar do famigerado churrasco de fim-de-ano.

Eu sei que vocês podem estar achando que eu sou uma bobona que não gosta de festas. Até pode ser, mas eu adoro o Natal. Acontece que nós estamos falando aqui daquelas comemorações onde todo mundo bebe demais e as baixarias rolam soltas. Se você abrir mão da cerveja e ficar totalmente sóbrio irá presenciar cenas hilariantes ou deprimentes, dependendo do ponto-de-vista. Tem secretária dando em cima de chefe (e vice-versa), tem gente colocando as mágoas pra fora, tem gente dançando em cima da mesa, enfim, tem de tudo.

Confesso que, apesar da minha contrariedade, não consigo dizer que não posso (ou não quero) ir quando chegam na minha sala para me convidar. Algumas vezes até consegui arrumar um imprevisto-oportuno-de-última-hora, mas na maioria das vezes tenho participado resignadamente dos eventos de confraternização da minha empresa. E o ponto alto é o tal do amigo-oculto. Me conta uma coisa: como você consegue falar alguma coisa engraçada e não-ofensiva sobre aquele chefe que te perseguiu nos últimos 365 dias ou sobre aquele colega que ficou te enchendo o saco o ano inteiro? Pois é, mas você certamente terá que se deparar com essa situação (se já não teve).

Tá bom então. Vamos supor que tudo tenha transcorrido maravilhosamente bem e que você tenha conseguido sair ileso dos comentários necessários para o amigo oculto. Você recebe aquele pacotinho bonitinho, embrulhado com papel de anjinhos, abre discretamente e se depara com um presente totalmente inimaginado. Muita calma nessa hora! Tudo bem que você se esmerou procurando um presente que fosse adequado para a pessoa que você sorteou e esperava que o seu “amigo” tivesse o mesmo tipo de delicadeza. Mas não fica bem sair pela festa gritando e tentando esganar o dito cujo que achou que você iria gostar de ganhar uma coleção de figurinhas da Hello-Kitty.

Um grande bj e até a próxima.

9 de dezembro de 2005

Sobre os finais de semana

Amados leitores (estranho... nem sei se temos leitores, não sei por que estou usando essa expressão nos meus textos), estamos aqui para informar que os finais de semana são totalmente reservados à família (na verdade ao pequeno, que não deixa espaço para mais nada). Portanto, não esperem encontrar posts nesses dias, excetuando-se situações totalmente anormais (como não ter nada pra fazer em casa). Logo, gostaria de desejar para todos um ótimo final de semana e dizer que estaremos aqui na segunda-feira, firmes e fortes, enchendo a paciência de vocês com um monte de abobrinhas (ah! reclama não! abobrinha é gostoso e além disso comer legume faz bem pra saúde). Um grande bj e até a próxima.

8 de dezembro de 2005

Carros X Peixinhos

Já falei que gosto de dirigir? Ah já? Então tá. Hoje de manhã estávamos no caminho pro trabalho, eu dirigindo com os pensamentos soltos, e ela cantarolando do jeito que é só dela. (Isso porque estamos no período de vacas-magras e por isso estamos sem rádio no carro.) Cê tem que ver. É incrível, ela cantarola só pra ela, e eu não consigo entender nada. Bom, então, tava lá eu quieto, pensando no meu projeto de mexer no carro, até que uma hora achei que ela tava falando comigo e perguntei:
− O quê que cê disse?
− Nada, tô cantando.
− Humm. Cantando o quê?
Aí ela cantou um pedaço da música que por sinal estávamos escutando antes de sair de casa. Tem um pedaço que é assim: “pois há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca...". Pra você ver... eu pensando em carro, e ela pensando nessas coisas. Que perda de tempo a minha. Humm, vou me lembrar disso de noite.

Friends

Bem. Para limpar minha barra com meus amados leitores (depois do post anterior, deprimente e sombrio, isso se fez necessário), resolvi escrever sobre um tema leve e divertido. Imagino que você, caro amigo, deve estar achando que eu fiquei besta e resolvi escrever usando palavras em inglês para enfeitar o texto (como tem um montão de gente que faz – eca!) e que vou desfiar um rosário meloso sobre amizade. Está redondamente enganado! Eu não vou falar sobre amigos ou amizades, eu vou falar sobre Friends, a série.

Eu sei, eu sei... Você agora deve estar ai, pensando em voz alta, que esses seriados americanos não prestam e que as emissoras querem enfiar esses enlatados goela abaixo do público brasileiro. Eu até concordo que um grande número deles é de gosto duvidoso e difícil de engolir. Mas eu garanto que isso não acontece com Friends. De fato, eu tenho certeza (bom, eu não vou apostar com ninguém porque, nunca se sabe, tem maluco pra tudo...) de que qualquer indivíduo (independente de gênero, religião e opção sexual) que esteja entre os 25 e os 35 daria boas gargalhadas assistindo a um episódio da série.

Então. Ontem mesmo eu estava num dia daqueles meio deprimentes. Cheguei em casa, brinquei com o meu pequeno e depois que ele foi dormir eu e o maridão assistimos alguns episódios de Friends. Parece incrível, mas naquela uma hora que passei ali, rindo das piadas daqueles seis amigos, consegui me livrar do peso que estava sentindo e fui dormir muito mais leve.

Não tem como você não se identificar com algum dos personagens ou pensar em algum amigo ou parente que tenha o perfil e atitudes parecidas com um deles. É claro que são estereótipos e que as situações são exageradas, mas o fato é que os textos são bem escritos e os atores estão em perfeita sintonia com os personagens.
Portanto, para curar melancolia, depressão, dor-de-cabeça, dor-de-cotovelo, mal-olhado e afins eu recomendo fortemente passar numa locadora, alugar uma temporada de Friends (se você nunca assistiu, eu sugiro começar pela primeira, uma vez que a história tem seqüência) e assistir de cabo-a-rabo. Pode até ser que não cure o seu sofrimento, mas não tem nada que não fique melhor quando a gente dá umas boas gargalhadas.

Um grande bj e até a próxima.

Vontade

Tá, eu confesso. Sou tarado por carros. É doentio, às vezes penso até em fazer terapia e tomar algum troço tarja preta pra combater, mas pensando bem, não vou fazer isso não. Muito pelo contrário, nutro diariamente a vontade de fazer um carro com a minha cara.
− Dããã, você quer tunar teu carro... que original...
Não, essa vontade não começou com a onda tuning. Vem desde os tempos em que eu nem tinha permissão pra ler a Playboy, mas lia religiosamente a Quatro Rodas e decorava a maior parte das coisas. Como todo adolescente da época, era louco pra ter Gol GTS vinho, GTi azul, Kadett GS amarelo, mas entendi que dificilmente poderíamos comprar qualquer carro zero. Classe média é um inferno. Minha mãe me ensinou que vontade é uma coisa que dá e passa. Mas a minha não passou.
Não sei se você vai acreditar, mas entrei no curso de engenharia mecânica na esperança de que, se não conseguisse ser piloto, pelo menos poderia trabalhar com carros de algum modo. Não consegui (pelo menos até agora). O curso, já acabei faz um tempo, e passei de jovem sonhador a pai de família com responsabilidades. Se eu deixei meu sonho de lado? Não, mas fui prático, apaguei a fogueira jogando areia em cima dela, e tratei de me sustentar. Só que essa fogueira reacendeu (na verdade nunca apagou direito), e nos últimos tempos parece que ganhou força.
Obviamente, a vontade cresceu muito depois de assistir Velozes e Furiosos no cinema. Cara, aquilo foi tão bom que chegou até a ser perigoso. Lembro da molecada (ah vai, eu também!) delirando no cinema com aqueles sons das trocas de marcha em 8 mil giros, do espirro do turbo, da injeção de óxido nitroso, dos pneus de perfil ultra-baixo lixando o asfalto (tá, parei!), e no fim do filme, fiquei até com medo do que poderia acontecer na rua com esses meninos indo pegar o carro do pai no estacionamento. Coitados dos pobres pneus, das frágeis embreagens, e dos corações das namoradas deles.
Mas comigo acontece uma coisa engraçada. Não curto muito o visual espalhafatoso tipo “olha o meu carro-alegórico cheio de treco pendurado”. Acho que esses carros são mesmo é de exposição, e servem pra mostrar novidades e boas soluções. Mas juntar tudo num carro só? Num sei não... E além disso, dificilmente esses carros poderiam ser usados no dia-a-dia, já que, pra dizer o mínimo, o seguro não paga pelos equipamentos embarcados. Bom, mas se não é disso que eu gosto, qual é a minha tal vontade então? Tá bom, vou dizer qual é. Tá preparado? Lá vai. Só queria dar personalidade e um motor forte porém dócil à um carro, de forma a poder usá-lo no dia-a-dia. Achou pouco? Tô aceitando doações pra começar o projeto. A descrição eu passo depois.

7 de dezembro de 2005

Luto

Desculpem-me meus queridos leitores, eu sei que a idéia inicial desse blog era de abordar temas legais e animados. Mas não consigo me conter quando penso sobre o que aconteceu esses dias no Rio de Janeiro (minha cidade natal e há pouco tempo abandonada por mim e por quase toda minha família). O que é isso, alguém sabe me dizer?! No que essas pessoas estavam pensando quando resolveram atear fogo a um ônibus repleto de inocentes? Por favor!!! Me digam o que está acontecendo!

Estou até agora, mesmo tendo se passado dias, chocada com o que vi e li a respeito do ocorrido. Fico pensando na dor e no desespero das vitimas, principalmente dessa mãe que morreu tentando salvar o seu bebê. Me coloco no lugar dela, porque o meu bebê tem a mesma idade, e sinto o estomago embrulhar e a cabeça rodar só de pensar em vê-lo passar por uma morte tão desesperadora. Rogo a Deus que essa mãe tenha perdido os sentidos antes de ver sua filinha pegar fogo. Penso ainda na dor deste marido/pai. Como essa criatura vai conseguir viver depois de ver sua família amada queimar até a morte? Quem vai poder culpar este homem pelos desejos de vingança que certamente vão lhe corroer?

Vale ainda lembrar que tudo isso aconteceu em um dia normal, sem nenhum presságio de perigo. Numa linha de ônibus bastante usada (até mesmo por mim, quando ainda morava nessa tal de Cidade Maravilhosa). Com pessoas que estavam somente querendo voltar para seus lares.

Agora me digam com sinceridade: o que estão fazendo com o nosso país? Onde estão todos enquanto uma das cidades mais importantes do Brasil está vivendo uma guerra civil não-declarada? Eu aceito minha parcela de culpa por não fazer absolutamente nada, ou pior, fugir quando me foi possível. Mas eu sei que não é a sociedade civil que vai poder resolver esse problema. Tem que haver uma solução, mas não sei de onde ela tem que vir.

Achei que fosse me sentir melhor depois de escrever sobre esse sofrimento todo, mas continuo sentindo a mesma coisa: só tenho vontade de chorar.

6 de dezembro de 2005

Montanha-russa

A minha vida é muito maluca. Ou será que sou outro maluco nessa vida. Ah, sei lá. Tem dias que eu estou radiante de felicidade (sério, sem palhaçada de achar que eu sou uma bicha alegre), me pego cantarolando aquelas musiquinhas-chiclete (As Garotas Que Dizem Ni falaram sobre isso outro dia, lê lá), ou então apreciando a beleza do nosso jardim com flores recém plantadas, ou então sorrindo enquanto vejo meu filho brincar com os avós. Nesses dias, qualquer coisa desagradável é enxotada pra longe igual a um percevejo intruso que pousa na roupa. Depois do susto ao descobrir o bicho encostado em você, basta dar um peteleco pra ele ir embora e tudo voltar ao normal. Nesses dias, tenho plena convicção de que entendo o sentido da vida, e me dá uma sensação de satisfação extrema em saborear o amor e carinho que sinto pelas pessoas ao meu redor (pronto, lá vem a bicha de novo). Bom, acho que deve ser isso que chamam de “vencer na vida”.
É, seria bom se todo dia fosse assim. Ou não. Ainda não sei. Mas o fato é que a vida é como uma gangorra, aliás gangorra não, porque numa gangorra, pra alguém estar por cima, outra pessoa tem que estar por baixo, e vice-versa, e não é isso que acontece comigo. No meu caso, parece mais como uma montanha-russa de emoções. Tá bom, vou explicar, mesmo não achando que seja diferente da maioria das pessoas. Na parte pessoal (tipo casamento, família) a montanha-russa é suave, na verdade é como se fosse um veleiro velejando (o que mais um veleiro faria?) a maior parte do tempo em águas calmas. De vez em quando ele atravessa um mar agitado que apenas o sacode um pouco, fazendo com que os marinheiros prestem atenção e trabalhem pra levar o veleiro pra um lugar calmo novamente. Porém, mais de vez em quando ainda, ele atravessa uma tempestade dessas mais brabas, e aí só com muita força de vontade e dedicação dos tripulantes é que o veleiro consegue passar por ela sem que ninguém se machuque ou caia na água. Ao longo do tempo a experiência em navegar vai aumentando junto com a confiança no veleiro, o que faz com que você queira passar cada vez mais tempo navegando. (Cê acha que eu tô querendo comprar um barco, né? Pois errou. Pô, tô filosofando a respeito da vida!! Ah, esquece, vai...). Bom, assim é minha vida pessoal. Sei que a viagem um dia vai ser interrompida, mas além de torcer pra esse dia demorar, torço também pra que eu pegue uma baldeação pra continuar navegando em outro lugar. Ah, outra hora falo disso.
Pois então, se na minha vida pessoal a viagem pela montanha-russa de emoções é tranquila, na minha vida profissional ela é um inferno, mais parece aquele elevador pavoroso que vai te levando pra cima numa certa velocidade e que depois, violentamente, te deixa cair no vazio. No mínimo uma brincadeira de mau gosto. Durante semanas, eu vou me armando de forças, de alto-astral, de tesão mesmo (pra trabalhar, tá!), e quando menos espero, alguém apronta uma, e me faz esvaziar como uma bexiga de gás que escapou da sua mão enquanto você soprava. Chega a dar enjôo no estômago. Bah, vou parar de falar porque hoje eu não tô bom.

Fogão de lenha

Para aqueles que não me conhecem, eu sou uma garota de apartamento. Isso quer dizer que passei quase toda a minha vida morando naquele tipo de residência empilhada em cima de outras. Logo, não tinha conhecimento das maravilhas que podem surgir de um fogão de lenha. E eu não estou falando da comida não (que por sinal é divina). Na verdade estou me referindo às manhãs maravilhosas passadas ao lado do fogão, com toda a família, preparando os quitutes a serem degustados.

Eu e o maridão só viemos a descobrir esta alegria, tão bacana quanto prosaica, a mais ou menos seis meses, quando decidimos morar em uma casa. E não teve saída. Nos apaixonamos pelo tal do fogão, irremediavelmente. Agora é difícil um final de semana sem comidinha de fogão de lenha. Ontem mesmo, enquanto estávamos cozinhando lá, me percebi sentada num canto, olhando com carinho as cenas ao meu redor. Tava lá o maridão tomando conta do fogo (esse é um capítulo a parte), a sogrona preparando um peixe divino (que o maridão trouxe da visita à Cidade Maravilhosa – vide post anterior), o sogrão brincando na piscininha com o meu pequeno e meu pai rindo de tudo, apreciando as cenas, como eu. Olha! Ta difícil me apresentarem um programa dominical mais gostoso do que esse. Vocês podem me chamar de sentimental e bobona, mas minha família é tudo o que há nesse mundo e vê-los felizes é minha felicidade também. Ai! Acho que descambei pro sentimentalismo... Cruzes!

Mas posso garantir uma coisa, se eu estou aqui fazendo apologia de coisas simples, é porque eu acredito fielmente que a felicidade é conquistada com este tipo de alegria, que não custa muito caro, mas dura pra sempre.

Um grande bj e até a próxima.

5 de dezembro de 2005

Cidade Maravilhosa!?

Semana passada estive na Cidade Maravilhosa. Bom, não acho que ela seja mais tão maravilhosa assim, e não tenho medo de falar isso porque sou nascido e criado lá. Mas não vou falar disso agora. Então. Fui a trabalho, na verdade era um evento, que foi sediado num hotel que fica no bairro da Glória. Ah, mas que beleza de hotel, ambiente de gente rica, com carros de luxo na entrada, e aqueles caras pra abrir a porta pra gente. Tá pensando que eu estava hospedado lá, né? Rá! Viajou. Fiquei hospedado (aliás, muito bem hospedado) na casa da minha irmã, que fica no movimentado bairro da Tijuca. Bom, no primeiro dia do evento, logo cedo, matei as saudades de andar de metrô. Chegando ao hotel, fiquei apreciando a vista da varanda enquanto aguardava o credenciamento começar e o suor parar de escorrer pela testa. A rua em frente ao hotel é daquele tipo que praticamente não tem trânsito, enfim, só passam os carros que precisam passar. De repente, olho pra baixo e vejo um táxi dando uma fechada em outro, e bloqueando a sua passagem. Eu penso: “ué, mas que coisa... pelo jeito vão se estranhar”. Nisso os dois pulam do carro berrando tanto que eu os ouço perfeitamente lá de cima. Depois de uns cinco minutos de bate-boca, um deles vai em direção à porta do seu carro. O outro faz o mesmo, e eu voltei a suar abundantemente, pensando que cada um voltaria pra arena com um trabuco na mão, já decididos a travar um duelo daqueles que em geral a platéia também leva teco. Mas acabou que um veio com uma chave de fenda e o outro com uma chave L. Aí pensei: “pronto, menos mal, vão só se atracar!”. Mas acabou que veio o pessoal do deixa-disso, conseguiram separar os dois e eles foram embora. Ah, e sabe qual foi o motivo da briga? Um deu uma encostada no carro do outro, derrubando uma pontinha do friso lateral. Agora vê se pode duas pessoas quase se baterem por causa disso. Fui lá pra dentro e entrei na fila pra pegar o crachá. Durante os longos minutos que se passaram até que finalmente uma das meninas-sorridentes-com-camisa-igual me entregou o dito cujo que levava o meu nome, ficou passando um filme na minha cabeça. De fato, durante todo o tempo em que andei de carro no Rio, participei de algumas confusões no trânsito. Antes, umas como frequentador do banco de trás, e depois outras já como motorista. E é impressionante como as pessoas se transformam atrás do volante de um carro. Os taxistas acham que são donos da rua, e têm plena convicção de que só eles sabem dirigir. Os motoristas de ônibus usam o porte avantajado de seus veículos pra costurar todo mundo, como se só eles tivessem que cumprir horário. Enfim, no meio desses e de outros (tipo motoristas de kombis e vans, motoboys), eu era um dos loucos que disputavam espaço, e de vez em quando, tipo a cada 20 minutos, trocava farpas. Sei não, mas acho que fiz um bom negócio mudando pra roça.

2 de dezembro de 2005

E lá vamos nós de novo!

Acho que já comentei aqui que eu e o maridão estávamos cursando o doutorado quando entramos para esta instituição que nos acolhe hoje (trabalho tá! público, mas trabalho!). Pois é! Conseguimos fugir do sanatório onde estávamos internados por sete anos aproximadamente (faça as contas comigo. graduação: 5 anos + mestrado: 2 anos + início de doutorado 6 meses) e reintegramos a comunidade sã por algum tempo. Mas, como todo maluco que se preza, tivemos uma recaída e decidimos procurar outro sanatório (ops! digo, universidade) que aceitasse um casal de doentes mentais semi-recuperados e em crise existencial por não precisar arrancar os cabelos na frente do computador todos os dias.

A primeira que decidimos tentar nos deu um não educado como resposta (afinal, maluco a gente não contraria) e nos mandou para casa. Já a segunda tentativa foi mais bem sucedida e temos vaga garantida para integrar o grupo de pacientes (digo, discentes) no início do próximo ano.

Eu sei que vocês devem achar que eu estou exagerando (tá bom, talvez só um pouquinho, senão não tem graça) e que o negócio não pode ser tão ruim assim. Então, pergunte pra qualquer cidadão que esteja em fim-de-tese (fim-de-tese é um período em que o aspirante ao título fica completamente intratável e é capaz de xingar a própria mãe. portanto, não é saudável perguntar nada para este individuo durante o período em questão) a seguinte pergunta: como vai sua tese? A resposta será $%#$%^%& (eu falei pra não perguntar nada, mas você não me deu ouvidos).

Acontece que, segundo minha teoria (é, eu tenho uma teoria), os malucos como eu e o maridão tem memória seletiva. Então os episódios tristes e deprimentes do mestrado foram apagados das nossas cabecinhas e os espaços foram ocupados por idéias totalmente malucas (como a de escrever este blog, por exemplo).

E o resumo da ópera é o seguinte: vocês, pobres leitores, vão ter que nos agüentar pelos próximos quatro anos reclamando diariamente da vida. E não pergunte como estão nossas teses, porque vocês já sabem qual vai ser a resposta. Mas, a pergunta que não quer calar neste momento é: será que vai valer a pena? Um grande bj e até a próxima.