28 de abril de 2006

O encontro e outras coisinhas

Bem, ontem eu e o maridão marcamos um encontro com a Aline e com o Tini em Campinas. É que a gente tá indo toda semana pra lá e os dois residem nesta cidade. Achamos que valeria a pena marcar, eles toparam e como resultado tivemos um almoço delicioso ontem. Conversamos muiiiiito (umas 3 horas). Achei a experiência de conhecer blogueiros muito bacana e recomendo. Maiores detalhes deixo pro maridão contar (tem uma história engraçadíssima sobre um determinado retorno) depois. Por hora vai uma foto dos meninos.



Ah, e sobre o rádio no carro só tenho uma coisa pra falar: my time machine works (pra quem não entendeu... assita a última temporada de Friends). Isso mesmo! Só pode ter sido isso que aconteceu: voltei no tempo. Porque onde lia-se DVD pode-se ler TAPE. Vejam vocês!

Um grande bj e até a próxima.

26 de abril de 2006

Se ela dança...

eu danço. Se ela dança, eu danço. Falei com o DJ.

Eu sei... musiquinha chiclete essa, né?! Daquela que a gente ouve o refrão uma única vez e passa o dia todo repetindo. E olha que eu nem gosto de funk, de uma maneira geral é claro. Mas acontece que vi no domingo passado, no Fantástico, a Regina Casé entrevistando o criador desta pérola para o quadro “Minha Periferia” e achei muito interessante. Pra quem não assistiu, o rapaz que escreveu a música é conhecido como MC Leozinho e mora numa comunidade carente em Niterói (RJ). Pois bem, a inspiração para a letra veio numa festa onde uma determinada moça (que por sinal ignora a existência do rapaz até hoje) se acabou de dançar ao som de músicas eletrônicas e despertou o interesse imediato do funkeiro. Música pronta ele (que já era conhecido em rádios comunitárias), por algum malabarismo do destino, caiu nas graças de ninguém menos que Ronaldo, o Fenômeno (?). Estava o dito craque de futebol em uma coletiva de imprensa quando toca seu celular. Nada de mais, eu sei, não fosse o ringtone do aparelho ser exatamente a música em questão. Resultado? Na semana seguinte MC Leozinho estava cantando no Faustão. Daí em diante foi sucesso garantido. Afinal, se o Fenômeno (?) gosta, todo mundo deve gostar também. Né?!

É nada! Vamos combinar que o nosso ídolo futebolístico entende muito de bola (e, na minha opinião, pelo salário que recebe tem mais que entender mesmo), mas de música ele não tem nenhuma obrigação de ser conhecedor. Se gosta de uma em especial não quer dizer que o Brasil todo deva ouvir a dita cuja sem parar. Mas aí é que está o ponto onde eu queria chegar. A grande força que personagens como jogadores de futebol, artistas de novela e ídolos da música pop possuem como formadores de opinião.

É batata! Pra vender qualquer porcaria basta fazer com que alguma carinha bonita e famosa use. Pega um famoso qualquer e bota na Caras com um determinado sapato. Pronto ele já virou moda. A velocidade com que isso acontece é diretamente proporcional ao grau de famosismo do indivíduo escolhido. A partir daí a coisa toma vida própria e quando menos esperamos a molecada na rua está usando sapatos idênticos aos que apareceram nos pés do famoso em questão. Não importa se acham feio ou bonito. Se fulano usou, a gente usa também. Eu sei... eu sei que este tipo de comportamento é próprio da juventude. Mas não dá pra negar que tem muito marmanjo que age da mesma forma.

Mas eu não vou ficar aqui falando que as coisas deviam ser diferentes. Que os jovens deveriam ser melhor orientados dentro da família para serem capazes de desenvolver suas opiniões próprias. Todo mundo sabe disso e no frigir dos ovos nada tem sido feito. Minha intenção foi trazer um assunto que achei muito intrigante porque, apesar de ter conhecimento de todo esse mecanismo, nunca imaginei que a coisa fosse tão forte e tão rápida quanto este caso do Leozinho mostrou.

Moral da história? Sei lá!!! Tire você suas próprias conclusões.

Um grande bj e até a próxima.

25 de abril de 2006

Novidade

schhhhhhhhhhhhhhh.... tum tum tum... 1, 2, 3, testando. Alou som! Alou som! Tá dando pra ouvir aí no fundo? Beleza.

Tamos aqui. Novidades incríveis pra contar. Estão sentados? Posso falar? Lá vai.... NÃO ESTOU MAIS SEM RÁDIO NO CARRO!!!!! Uhuuuuuuuuuuuu.... Ah moleque!! Ganhei um toca-fitas Sony com frente destacável...

Pára tudo!!! Toca-fitas!!?? Onde você arrumou uma velharia dessas?
– Velharia nada rapá! É uma relíquia, isso sim! Humpf.
Relíquia... sei.
– Num perturba. Adorei o rádio. Ganhei de presente de um amigão.

Como eu estava dizendo, é um Sony com frente destacável, tá funcionando perfeitamente, é discreto, pode controlar uma disqueteira de CD’s e tem a vantagem de não atrair a atenção dos gatunos de plantão. Se bem que talvez atraia atenção de um ladrão de antiguidades valiosas tipo o Sean Connery em Armadilha, aliás seria interessante a Catherine Zeta-Jones me assaltar. Imagina só a cidadã de roupinha de couro preto colada com uma mascara de... Tá, parei. Onde é que eu estava? Ah, sim, o toca-fitas. Pois é. Esse amigo me trouxe o rádio na sexta-feira (não a santa, mas a do rapaz da forca), e logo no dia seguinte parti pro meu personal instalator pra botar o bicho no lugar. Como alegria de pobre dura pouco, assim que o rádio começou a falar, notamos que os auto-falantes traseiros (ovais, tamanho 6x9 polegadas, e velhos) não estavam funcionando. Só falavam os da frente, meio roucos.

– Hummm... Será que tem algum fio solto?
– Não... pela cara deles, parece que os cones de papelão estão travados por falta de uso. Leva pra recondicionar que fica bom. Ou então compra novo. Te vendo o modelo novo de 6x9 da Pioneer, que já é pentaxial, por 220 reais o par.
– Hummm... 220.... nah, se eu falo pra patroa que gastei isso tudo num par de auto-falantes eu apanho. Quanto será que sai pra recondicionar esses aí?
– Ah, acho que uns 20 ou 30 reais cada um.
– Bem melhor. Melhor não, pelo menos mais barato.
– E se bobear o som vai ficar melhor que o de um novo, porque esses falantes de papelão com um recondicionamento bem feito dão um som muito bom.

No fim das contas, levei pra recondicionar um outro par de falantes velhos de papelão que tinha em casa. Não, ao contrário do que você tá pensando, auto-falantes antigos não se reproduzem lá em casa. Esses eu tinha tirado do carro do meu sogro, visto que o CD eu já tinha beiçado tempos antes. Pra recondicionar o par que estava no carro ficaria em 50 pratas, e pra recondicionar esse outro par ficaria em 80. Enfim, optei por pagar os 80, jé que esses têm tweeter embutido (os outros que estavam no carro não têm), o que vai me economizar 30 pratas pela instalação de um parzinho de tweeters à parte. Ficou elas por elas. A moça da loja me garantiu que vai ficar bom. O serviço fica pronto até sexta-feira. Somando os 15 reais da instalação, o total não vai passar de 100 reais. Pra minha surpresa, ela nem reclamou. Escapei ileso.

Bom, mesmo sem o par traseiro, desde sábado estamos usando o toca-fitas só com o par dianteiro de falantes. Catei as fitas antigas em casa e meu pai até já encontrou o velho estojinho pra colocar as dita-cujas e carregar no carro. Tô igual a criança com brinquedo novo.

Hoje, o caminho pro trabalho foi ao som de Bon Jovi. Enquanto eu cantava I’ll be there for you e This ain’t a love song, a melodia com os gritos do Jon me trouxe lembranças de um tempo distante. Entrei no túnel do tempo e lembrei do garoto apaixonado que gravou uma fita pra namorada. Todas as músicas foram escolhidas à dedo. Todas músicas românticas, claro. Batizou a fita de Bon Jovi – Love Collection e levou pra ela. Já naquela época esse garoto sonhava em ter essa mulher ao seu lado pro resto da vida, passeando de mãos dadas, trabalhando, construindo o futuro, vivendo. Acho que esse garoto teve sorte.

I'll be there for you
These five words I swear to you
When you breathe I want to be the air for you
I'll be there for you
I'd live and I'd die for you
I´ll steal the sun from the sky for you
Words can't say what love can do
I'll be there for you
(Refrão de I'll be there for you, Bon Jovi)

Alguém tem aí uma disqueteira velha e sem uso em casa pra me arrumar?

17 de abril de 2006

Sobre o meu último post, aquele da Sexta-feira

Interessante. Recebi alguns comentários que me fizeram refletir. Dentre eles, gostaria de comentar os dois que foram escritos pela Elisa. Eles estão abaixo para facilitar a leitura.

"Não é comemoração. Na sexta feira santa nao se comemora NADA. pelo contrario. É um dia de jejum, reclusão, oração e quietude. Não se deve trabalhar, cozinhar, lavar, limpar. Semana santa nao foi feita pra viajar, comer bacalhoada na sexta. ao contrario, foi feita praq se pensar no sofrimento e na morte de cristo, lembrar que ele morreu por nós e fortalecer nossa fé. sabado de aleluia sim, comemora-se. porque aí é a Ressurreição. Ele revive. Ele vence a morte. definitivamente os Católicos nao comemoram NADA na sexta feira santa."

"e, sorry, mas João não foi o único que realmente conviveu com ele. Por favor, né. Se vc quer contestar a Bíblia por meio de um livro que leu, pelo menos cite a fonte. Ao contrário eu vou achar vc mentirosa, como qualquer orientador ou membro de banca (se nao me engano li que vcs fazem mestrado, nao?). Os outros discípulos TAMBÉM conviveram com Jesus. Que dizer de Pedro, por exemplo? e de Mateus? o melhor evangelho sobre a morte e ressurreissão de cristo não é nem o de João, é o de Mateus!
Olha, eu sou Catolica, Apostolica Romana praticante. Nao sou nenhuma alienada. Sou professora de metodologia de pesquisa num curso de pos graduacao. Já reneguei minha fé na adolescencia, ja conheci outras religioes, e hj SEI porque sou catolica. por isso acho que antes de meter a boca é melhor conhecer a fundo. espero que vcs tenham uma boa argumentacao pra sustentar esse post."

Antes de mais nada, gostaria de esclarecer dois pontos. Um: quem escreveu o post fui eu (Test Driver), então não entendi porque um adjetivo foi colocado no feminino. Dois: tudo o que foi escrito no post, assim como em todo o blog, representa a opinião do autor (Test Driver ou Navegadora), e não deve ser encarado como lei, norma, ou verdade absoluta e portanto não tenho que “sustentar” coisa alguma.

Dito isso, prossigamos. O livro, citado por mim no post, e citado pela Elisa no comentário, na verdade é a série Operação Cavalo de Tróia de J. J. Benítez, composta por sete volumes. De fato, considero toda a série uma obra de ficção, mas que abriga inúmeros conceitos que julgo serem ao menos perturbadores. E muito me interessa a discussão dos mesmos.

Bom, no primeiro comentário, a Elisa tenta explicar o que é a sexta-feira santa para os católicos. Muito bem. Entendo que o que ela disse representa o que a Igreja Católica diz. Acho que meu único erro aqui foi ter dito que o dia é de comemoração, e por isso peço desculpas se ofendi alguém. Apesar disso, o que escrevi é corroborado pelo que ela própria escreveu, já que nunca vi um católico jejuar na sexta-feira santa, ou então uma família católica que não cozinhe o almoço deste dia na própria manhã. Mas tudo bem. Acho até que uma pessoa passaria o dia muito feliz fazendo jejum e tudo mais, mas não como uma imposição, e sim como uma determinação pessoal. Sobre o sábado de aleluia, tenho que discordar, pois até onde sei, Jesus ressuscitou ao terceiro dia, que no caso é domingo. Bom, sobre as afirmações de que Jesus “morreu por nós” e que “ele venceu a morte”, acho que elas são simplificações grotescas do que de fato faria sentido ocorrer.

No segundo comentário, a Elisa pede que as fontes sejam citadas, sob pena de me achar mentiroso. Esclareço que o post não é uma tese, e volto a afirmar, ele expressa unicamente a minha opinião. Logo, não me sinto obrigado a provar absolutamente nada. De qualquer forma, quem se interessar pelo assunto deve sentir-se inteiramente à vontade para pesquisar as inúmeras fontes citadas na leitura que mencionei. Em particular, recomendo à você, Elisa, como professora de metodologia de pesquisa e pessoa interessada na religião católica, que leia a obra de Flávio Josefo. Ainda não o fiz, caso me pergunte. De toda forma, muito me interessaria saber das possíveis falhas na referida obra de Benítez com respeito à obra de Josefo.

Sobre a questão do evangelho de João, acho que houve confusão. Novamente baseado nos livros que mencionei, disse que “nos quatro evangelhos, fez-se um relato do que não se viu, à exceção de João, que foi o único que de fato conviveu com o homem.” O que quis dizer foi que apenas o apóstolo João, dentre os quatro evangelistas, viveu com Jesus, sendo que os outros evangelistas não eram apóstolos. De qualquer modo, acho que isto não é relevante, visto que os quatro evangelhos são contraditórios, confusos e tendenciosos. Basta lê-los. A propósito, não conheço um evangelho canônico que tenha sido escrito por Simão Pedro.

Por fim, e contrariando o que alguém porventura possa pensar, nunca reneguei minha fé. Renego, sim, todo e qualquer tipo de religião. Minha fé, muito mais do que acreditar em um Deus, me faz confiar Nele e buscá-Lo todos os dias de minha vida.

Anjos



Eu queira contar uma pequena história pra vocês. Tenham paciência, por favor. I have a point (eu juro). Em junho de 2003 eu tive a oportunidade de fazer uma viagem que foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Eu fui conhecer um pedacinho do Velho Mundo e me apaixonei completamente. Pena que o maridão não pode ir junto, porque aí sim teria sido a viagem perfeita. Mas de todo jeito, aproveitei o máximo que pude. Conheci lugares, visitei museus, provei comidas. Foi muito, mas muito bom mesmo. Mas essa viagem não teria sido tão fantástica se eu não tivesse tido a oportunidade de conhecer uma pessoa maravilhosa. É que eu fiquei hospedada na casa de uma brasileira muitíssimo bacana (que nem me conhecia e mesmo assim ofereceu sua casa pra eu passar uma semana). Ela me levou em passeios muito gostosos e me presenteou com conversas pra lá de legais.

É uma pena que nós não tenhamos nos falado mais nos últimos tempos, porque ela foi de importância fundamental na minha vida (e nem sei se ela sabe disso). Apesar da grande diferença de idade entre nós duas, conversamos longamente sobre milhões de coisas e, como não poderia deixar de ser, sobre as nossas vidas particulares. E foi numa dessas conversas que ela me falou uma coisa que marcou minha vida. Ainda me lembro de como foi: estávamos caminhando em direção a um restaurante, onde jantaríamos, e falávamos sobre a maravilha de ter filhos. Eu ainda estava muito insegura com respeito a esse assunto. Sempre que eu o maridão conversávamos, esbarrávamos na sensação de que ainda não era o momento perfeito para termos nosso bebê. E foi exatamente isso que falei. Pois ela me respondeu que, se eu tinha certeza de que estava com a pessoa ideal, esperar pelo momento perfeito era uma grande bobagem, porque este momento não existe. O que de fato importava era aproveitar o companheiro que eu tinha e o momento que estávamos vivendo, porque ao esperarmos pelo momento perfeito poderíamos deixar passar um momento bom.

Provavelmente essa lição ela aprendeu com sua própria vida. Isso porque, apesar de ter sido casada, ela não teve filhos e, no momento que nos conhecemos, o seu casamento já não existia mais. Guardei essa informação na minha cabeça e no meu coração e cheguei em casa com minha decisão tomada. Nós estávamos vivendo um momento muito bom! Poderia até não ser perfeito (principalmente pelo lado financeiro), mas era inegavelmente um momento mais do que adequado para termos um filho. Conversei muito com o maridão e decidimos que encomendaríamos nosso herdeiro. Assim foi e, em dezembro do mesmo ano, tivemos a confirmação do laboratório de que, em julho do ano seguinte, teríamos mais um membro em nossa família.

Já faz muito tempo que eu tive essa conversa, que aconteceu em outro continente e, olhando de hoje, me parece que aconteceu em outra vida. Mas ontem me lembrei disso tudo e senti uma enorme vontade de contar aqui. Sabe por quê? É que eu estava lá, sentada em frete ao vaso sanitário, ensinando nosso pequeno a ter paciência para esperar o xixi sair, e me sentindo enormemente orgulhosa por ter um garotinho que está largando as fraldas, e me veio à memória esse momento mágico em que eu percebi que não era preciso esperar o tal momento perfeito. Nesse instante eu agradeci de coração à essa pessoa especial que me fez ver uma verdade que estava embaixo do meu nariz e eu não conseguia enxergar.

Gosto de pensar que na vida nos aparecem anjos em momentos fundamentais. Esses anjos nos dão pequenas pistas para nos ajudarem a tomarmos nossas decisões. Se certas ou erradas, são de nossa total responsabilidade, é claro. Mas uma ajudinha é sempre bem vinda, né?! Ontem eu lembrei do anjo que me ajudou a decidir sobre a melhor coisa da minha vida... Outro dia eu conto sobre outros anjos.

Um grande bj e até a próxima.

13 de abril de 2006

Sexta-feira

Amanhã é sexta-feira santa. Para os católicos, comemora-se o dia da paixão de Cristo, ou seja, o dia em que nosso amigo Jesus comeu o pão que o diabo amassou. Na minha cabeça isso não faz muito sentido. Afinal, onde está o motivo de comemoração se o cara, exatamente nesta sexta-feira, levou cusparadas, foi espancado, chicoteado e depois morto por asfixia pregado numa estaca? Não dá.

Mas tudo bem. Nos dias de hoje, penso que poucas pessoas se lembram ou pelo menos tentam imaginar o que foi a paixão. Sei que a bíblia é falha nisso. Nos quatro evangelhos, fez-se um relato do que não se viu, à exceção de João, que foi o único que de fato conviveu com o homem.

De qualquer forma, os relatos foram escritos por seguidores que não entenderam absolutamente nada do que Jesus falou. Não os culpo. Os evangelistas viveram numa época de cegueira generalizada, onde a ignorância predominava. Esperavam um messias libertador do povo que restaurasse o poder soberano de Israel, na época dominado pelos romanos. Mas ele não era isso. Era muito mais. Ele veio trazer a luz. Veio trazer a verdade para os homens que quisessem buscá-la. Mas eles não entenderam.

De onde tirei estas certezas? De um livro. Mas não sei se devo citar o nome, afinal, inevitavelmente ele provoca reações adversas. Na melhor das hipóteses, você vai se sentir ofendido pelo autor, vai taxá-lo de mentiroso e passará a ignorar sua existência (e seus livros) a partir daí. Por outro lado, se você, desavisadamente, começar a duvidar das coisas que estão lá, estará num caminho sem volta. A partir desse dia, sua vida nunca mais será a mesma. Você irá questionar tudo, sempre. Começará a abrir os olhos para tatear no escuro. Ironicamente, você vai começar a caminhar com mais confiança, como se a vida fosse um simples caminhar. Começará a VIVER com letras maiúsculas.

Amanhã, então, celebremos a vida. Façamos o que gostamos de fazer, seja sozinho, seja com o cônjuge, seja com os amigos, seja com a família toda. Paz à todos nós.

“Bem-aventurado o que busca, conquanto morra crendo que jamais encontrou. E ditoso o que, à força de buscar, encontra. Quando encontrar, perturbar-se-á. E, havendo-se perturbado, maravilhar-se-á e reinará sobre tudo.”

Prendas domésticas.

Tava lendo lá na Ana um texto delicioso onde ela fala sobre o lado dona-de-casa que toda mulher carrega dentro de si. Me deu vontade de falar do meu.

Sabe, desde que me entendo por gente lembro de minha mãe totalmente tarada por limpeza. Nossa casa sempre foi um brinco, com tudo arrumado, limpo e cheiroso. Comida sempre nos horários certos, roupa sempre pronta para ser vestida. Mas sabe, sempre tive a sensação de que essas tarefas não eram feitas com prazer. De fato me pareceu sempre uma obrigação. Pra mim, a pior coisa da vida quando criança era a segunda-feira. Eu não imagino porque, mas minha mãe instituiu que segunda-feira era dia de faxina. E era um tal de arruma pra cá, lava ali, limpa acolá que me dava náusea. Acho que por isso eu odeio segundas-feiras até hoje. É verdade que, quando pequena não ajudava em quase nada, mas com o passar dos anos algumas tarefas me foram designadas como obrigações. Não vou entrar aqui no mérito da necessidade de ensinarmos aos filhos noções mínimas de como cuidarem de si próprios e do local onde vivem. É claro que este tipo de ensinamento é fundamental. Mas vamos combinar que pra criança é ultra-chato ter que limpar o pó dos móveis todos os dias. Mas foi assim por muito tempo, até que comecei a trabalhar e me livrei das fatídicas segundas-feiras e das tarefas domésticas diárias.

Depois de casada, a obrigação de manter tudo em ordem passou para as minhas mãos. Afinal, eu era agora a dona-da-casa (notem a diferença entre dona-da-casa e dona-de-casa. Infelizmente eu não recebi o gene dona-de-casa. Não consigo me sentir feliz fazendo tarefas domésticas. Admito e não me envergonho.). Eu tinha que me preocupar em ter a geladeira provida, a roupa lavada e passada, e a casa habitável. Pois bem, foi um inferno!! Trabalhar a semana inteira e ter de cuidar da casa nos finais-de-semana estava acabando com meu humor. É claro que os móveis tinham camadas seculares de poeira, eu esquecia constantemente de trocar a roupa-de-cama, comíamos macarrão instantâneo com uma freqüência irritante. Ou seja, como resultado a limpeza ficava devendo, e muito, para o que eu estava acostumada na casa da minha mãe. As roupas até que eram lavadas (santa máquina-de-lavar), mas eu não era lá muito amiga da tábua de passar. Por fim eu acabei aceitando o fato de que precisava de uma assistente para assuntos domésticos. Contratamos uma moça maravilhosa que ia lá em casa uma vez a cada quinze dias. Eu ficava encantada quando chegava e encontrava tudo limpo, arrumado e as roupas devidamente passadas e em seus lugares. Ufa!! Que alívio.

Quando fugimos do Rio e viemos morar na roça encontramos uma assistente maravilhosa que está conosco até hoje. Ela é fundamental para o bom andamento da casa e pra minha sanidade mental. Confesso que muitas coisas nem tomo conhecimento (eu já expliquei: sou dona-da-casa, não dona-de-casa). Por exemplo: não sei quando a roupa-de-cama precisa ser trocada, ou quando é o dia de fazer faxina nos banheiros. Chego em casa e está tudo fantástico. Quando ela tira férias (sempre nas minhas férias também) rezo pra ela voltar e pra eu poder descansar. Definitivamente não fui talhada para afazeres domésticos... Fazer o que, né?!

Ainda tenho minha cota de responsabilidades para que a casa funcione. Compras de mês são minha obrigação, assim como definir os pratos a serem preparados nos finais-de-semana. Além disso, quando chego em casa cuido do meu filho e essa responsabilidade não passo pra ninguém. Na verdade, não é responsabilidade, mas prazer (mesmo nos dias que parece um prazer meio cansativo). No mais a gente vai improvisando... Afinal a imprevisibilidade é uma das coisas que torna o cotidiano (tão previsível por natureza) mais animado e menos massante.

Aonde eu queria mesmo chegar com este texto? Sei lá! Acho que escrever sobre isso só me fez dar muito valor às duas secretárias que já tive até hoje e à minha mãe (por que não?). Afinal elas tornaram meu dia-a-dia muito mais fácil e tranqüilo por cuidarem de coisas que eu não gosto. Mesmo a minha mãe, que eu pixei lá no primeiro parágrafo por fazer da limpeza um inferno, merece agradecimento. Por causa dela eu sei dar muito valor ao trabalho doméstico (feito por outros). Ah, e por falar da minha mãe, queria registrar aqui que ontem foi aniversário dela.



No mais, desejo um ótimo final-de-semana pra todos e Boa Páscoa, é claro.

Um grande bj e até a próxima.

12 de abril de 2006

Esclarecendo...

Aparentemente o post de ontem ficou com um ar meio assim... digamos... besta. Mas queria esclarecer que não foi essa a intenção! É que eu sempre achei o texto bem escrito e muito engraçado. Nós não somos do tipo engenheiros metidos e nem gostamos de profissionais que se acham os maiorais por terem cursado essa ou aquela universidade (vejam o exemplo dos médicos que se acham deuses). Tá tudo claro agora?!

Bjs.

11 de abril de 2006

Mais diversão...

Carreira Y

Esta é para todos os engenheiros que pensam em ganhar dinheiro na área técnica. (Obs.: Eu não sei se tem algum engenheiro que lê esse blog, mas de todo jeito achei que valia a pena postar... É engraçado para não-engenheiros também e serve pra todo mundo que quer subir na vida ralando.).

Na Embraer (ou Lucent ou qualquer empresa que tenha engenheiro) rola o que eles chamam de carreira em Y. Essa parada foi criada para dar a chance aos engenheiros que não quiserem passar para a área administrativa de continuar subindo na empresa e ganhando melhor ainda na área técnica. Porém, todo mundo reclama e fala que é dificílimo ser promovido. Então alguém criou o guia de como ser promovido na carreira em Y. O indivíduo começa como Engenheiro 1 e pode chegar a ser Engenheiro 8.

Condições necessárias para vocês virarem Engenheiro 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8:

Engenheiro 2, 3:
Faça o seu dever, cumpra seus prazos, fique algumas vezes depois do horário, faça cursos de aperfeiçoamento, seja sociável trabalhando em equipe. Destruir plantações de pepinos (pepino = problema). Inglês obrigatório + 1 língua é desejável. Salário: de R$ 3082,00 a R$ 4744,00. Exemplo: Humanos normais

Engenheiro 4:
Idem ao anterior + matar um leão (leão = um grande problema) por dia, com uma carga horária diária de 12 horas. Ser responsável por 10% do projeto de uma aeronave comercial do tipo jato regional de 50 lugares (ex-145). Inglês, francês e alemão obrigatórios. Salário: de R$ 4934,00 a R$ 6003,93. Exemplo: Fodões

Engenheiro 5:
Idem ao anterior + um dragão (dragão = é uma problema enorme) por semana, com uma carga horária diária na fábrica de 16 horas sem feriados. Ser responsável por 25% do projeto de uma aeronave do tipo jato regional de 100 lugares (ex-190). Inglês, francês, alemão, japonês, italiano, espanhol obrigatórios. Salário: de R$ 6004,93 a R$ 6010,93 (1 real + por cada step). Exemplo: Mister M, David Coperfield, Padre Quevedo.

Engenheiro 6:
Idem aos anteriores, só que, mata-se 1 leão por hora, um dragão por dia, um ALIEN (ALIEN = é um problema do outro mundo) por semana e mais uma área equivalente a meio globo terrestre em plantações de pepino. Carga horária diária na fábrica de 20 horas. Ser responsável por 75% do projeto e 25% da construção de uma aeronave do tipo jato de passageiros com 100 lugares (ex-190). Inglês, francês, alemão, japonês, italiano, espanhol, aramaico, latim, javanês, mandarim, vietnamita obrigatórios. Salário: de R$ 6011,93 a R$ 6022,93 (2 reais + por cada step). Exemplo: Fadas da floresta encantada, Gnomos, NINJAS com o poder dos nove cortes. Assim como os NINJAS, somente um engenheiro 6 pode matar um engenheiro 6.

Engenheiro 7:
Idem aos anteriores, só que, os leões e os dragões fogem de você. Você terá que caçá-los em outras dimensões e planetas. Uma área equivalente a uma estrela classe 5 (Sol) em plantações de pepino e três ALIENS e um PREDADOR (PREDADOR = é um problema impossível de ser resolvido, exemplo, fazer um corpo com massa m viajar com velocidade acima da velocidade da luz) por dia. Carga horária diária na fábrica de 25 horas. Ser responsável por 100% do projeto e 50% da construção de uma aeronave do tipo jato de passageiros com 400 lugares (ex-747). Inglês, francês, alemão, japonês, italiano, espanhol, aramaico, latim, javanês, mandarim, vietnamita, pascal, fortran, BORG, e todas as 13500 línguas e dialetos que o C3PO fala no filme do Star Wars, obrigatórios. Salário: de R$ 6022,93 a R$ 6033,93 (2 reais + por cada step). Exemplo: Mago Merlin, qualquer JEDI como Luke Skywalker e Obi Wan Kenobi, Mestre Yoda (dai o nome de carreira em Y), SPECTROMAN.

PS: Não desanime, conseguir você irá, um engenheiro 7 você será. Grande poder tem o lado negro ADMINISTRATIVO da FORÇA. Você também terá que ser um HIGHLANDER, pois só com uma vida eterna você terá tempo para atingir este cargo, mas não se esqueça que só pode haver um e não deixe que ninguém, um outro Engenheiro 7, corte sua cabeça.

Engenheiro 8:
É o cargo máximo no UNIVERSO e você será considerado como o mestre do UNIVERSO. Você tem que ter o poder da vida e morte sobre os seres, logo você não precisa mais matá-los, apenas deseja que os problemas se resolvam ou cria novas leis do universo que os resolva. E você irá perdoar a todos. Você será onisciente, onipresente e onipotente. Carga horária diária na fábrica: para você o tempo e o espaço já não existem. Ser responsável por 100% do projeto e 100% da construção de uma espaçonave classe star destroyer para 500 tripulantes (ex-USS ENTERPRISE), em 7 dias. Você pensa e as pessoas entendem com telepatia e vice-versa. Salário: de R$ 6033,94 a R$ 6046,93 (3 reais + por cada step). Exemplo: DEUS, BUDA, ALA, ZEUS, ODIM, A FORÇA.

Perceberam como é simples desenvolver carreira técnica ...

P.S.: Só para esclarecer... O texto não é meu! Quem dera... (rs). Esse é um texto que rolou na internet faz uns anos e era super famoso entre os engenheiros (ou aspirantes).

10 de abril de 2006

Pura diversão

TODA A VERDADE SOBRE OS PERSONAGENS DA NOSSA INFANCIA (que não percebemos na nossa ingenuidade ...)

1 - GARGAMEL - Provavelmente usuário de LSD. Fica a vida inteira perseguindo homenzinhos azuis com roupas brancas com tendências claramente homossexuais e abusando mentalmente de seu gato. Aliás, pra quê ele queria pegar os Smurfs??

2 - PATOLINO - Se ele não usa crack, a Vera Fisher é uma freira. O cara é tão ligadão que consegue ficar pulando, batendo a cabeça no chão sem sentir dor, falando o tempo todo feito um louco.

3 - SALSICHA - Suspeito n. 1, típico maconheiro. É só ver as roupas, cabelo, o cavanhaque, o fato de ele conversar com cachorros. Sofre de fome crônica e tá sempre batendo uma larica. O Scooby é cúmplice. Alguém que consegue comer, em média, 93 biscoitos de cachorro por episódio não pode ser normal. Isso sem falar naquele furgão psicodélico em que eles se trancavam pra fumar um.

4 - HOMEM ARANHA - Vivia em eterno conflito por não assumir sua homossexualidade, o que inclusive o fazia ter um apego quase doentio pela figura materna. Chegou até a forjar um casamento, que obviamente não vingou.

5 - BATMAN & ROBIN - Essa é a dupla homossexual mais bandeirosa do mundo dos super-heróis (tanto que na versão original, várias coisas consideradas muito "gays" foram cortadas posteriormente, como a "dança do Batman", lembram?). Batman era o "solteirão" que curtia meninos bem novos. Mas alguém duvida que aquela confiança e cumplicidade com o "mordomo" não escondia algo mais? O "mordomo" é quem na verdade bancava toda aquela trip de herói!

6 - ROLO - Bicho grilo. Não saiu da década de 70. Anda descalço ou de sandálias, cabelo encaracolado de tão sujo e barba comprida, fica o dia inteiro tocando violão e não trabalha. Precisa dizer mais alguma coisa??

7 - Zé COLMEIA E CATATAU - Qualquer um sabe o que tem naquelas cestas de piquenique. Senão, como é que você explica aquela obsessão em roubar as cestas apesar do guarda florestal estar sempre em cima? Os caras voltam pra caverna e começam a viajar.

8 - HE-MAN - Esse é fácil. Consumidor número um de esteróides. Foi um dos precursores do "barbie lifestyle". Aquele grito "PELOS PODERES DE GAYQUESOU!! era muita bandeira... O cara ficava naquele castelo, puxando ferro, injetando anabolizantes até no tigre dele. E o Esqueleto? Esse tinha um caso mal resolvido com HE-MAN, (lembram daquela risada super aviadada?) Por isso ficava o tempo todo tentando uma vingancinha...

9 - OLIVIA PALITO - Claramente usa moderadores de apetite e anfetaminas. Ninguém é tao magro e desesperador assim. Ela deve até ser anoréxica-bulímica. Por sinal, o que é que o Popeye e o Brutus viram nela? Eles quase entraram na lista por tentarem alguma coisa com "aquilo" ...

10 - ALICE - Comeu um cogumelo no país das maravilhas e ficou tri-louca, fumando uma marica com a centopéia... O desenho mais lisérgico da história.

7 de abril de 2006

Quem tem medo do Word?

Eu tenho!

Sabe, cada um tem um método pra escrever. Eu gosto de escrever tudo no Word, com uma formatação agradável para a leitura (agradável pra mim, é claro) e com uma numeração que não faz nenhum sentido pra mais ninguém, a não ser pra mim. Depois copio o texto no Blogger e dou os toques finais. Faço assim desde o primeiro post. Pois bem. Dias atrás estava escrevendo o último texto (aquele ali embaixo, sobre lágrimas) e o diabo do Word resolveu dar pau. É! Fato mais que comum entre os usuários do Word. Ele simplesmente decide que não vai deixar você gravar mais nada e toda vez que você tenta salvar o texto ele fecha o programa, sumariamente. Já estou acostumada com esse tipo de crise existencial que só os programas da Microsoft apresentam (em especial o mais famoso editor de textos do mundo) e praticamente não entrei em pânico (praticamente porque fiquei irritada de perder o texto que tinha acabado de escrever, é claro).

Mas fiquei com essa história na cabeça. Por que será que, apesar de ser tão instável e apresentar problemas irresolvíveis, a grande maioria das pessoas aceita usar o Word como se esse fosse o único editor de textos existente na face da Terra? Por quê? Sabe, eu me incluo nessa legião porque, para a grande maioria dos trabalhos, eu também uso essa porqueira. Mas eu sei que existem alternativas e faço uso delas quando acho que é conveniente. Mas 90% dos usuários de computadores não sabem que existem outras opções. A grande maioria acredita piamente que textos só podem ser escritos no Word, e ponto final.

Por exemplo, estamos tendo que escrever um trabalho que faz parte das avaliações da disciplina de doutorado que estamos cursando. Pois bem, o dito trabalho envolve a escrita de equações bastante chatinhas. Você por acaso já tentou escrever equações no Word, usando o Equation Editor? Já? Conseguiu?? Ótimo! Você é um felizardo. Mas você que conseguiu, escreveu umas 50 equações e depois tentou salvar o arquivo? Pois então, é claro que você não conseguiu... Sabe por quê? Porque o Word não foi feito pra escrever equações. Simples assim. Eu já aprendi minha lição e todas as vezes que tenho que escrever textos com equações uso o LaTex. Pronto. Fácil, fácil eu escrevo tudo que preciso.

Mas tava assuntando ontem e descobri que praticamente toda a turma está brigando com o Word. Credo!! Não consigo aceitar que pessoas com o nível de instrução elevado, como as que estão fazendo um doutorado em engenharia, não consigam usar outro programa, a não ser o Word, pra escreverem seus textos. Mas quer saber: não sei porque fiquei tão espantada. Até mesmo meu orientador de mestrado foi contra quando eu disse que ia usar o LaTex pra escrever minha tese... Se um cara com a formação dele ainda se prende ao Word, porque alunos não podem, né??

Mas o que eu acho que é o ponto central dessa discussão é a influência da mídia (mais uma vez) sobre o poder de decisão das pessoas. Todo mundo usa o Word porque só conhece o Word. Porque o Word vem instalado no seu computador quando você compra o dito cujo, porque existem centenas de cursinhos por ai ensinando a criançada a usar o Word. Enfim, porque o Bil Gates é um cara esperto pra caramba. E tenho dito.

4 de abril de 2006

Cobras, lagartos e os nossos amigos urubus


Tá achando que eu vou escrever sobre a nova chatice da Globo? Engano seu. Não gosto de ver novela, salvo algumas raras cenas que despertam meu interesse. Prefiro um filme, ou então uma seção de Need For Speed Underground 2 no computador. Mas tô precisando comprar um jogo novo, porque já cheguei no final desse. Duas vezes. E sem usar o volante Microsoft Sidewinder Force Feedback Wheel que comprei antes de casar. Fica muito fácil. Então, jogo no teclado mesmo. Mas por que diabos comprei o volante então?, perguntaria você. Porque o Need For Speed Porsche Unleashed era impossível de jogar no teclado, visto que a física inserida no jogo fazia com que os danados perdessem o controle à qualquer toque nas setinhas. Nesse, só consegui chegar no final usando o volante. Bah, mas não é disso que quero falar.

Queria mesmo era falar sobre o urubu. Não, não o urubu rubro-negro carioca e malandro da Gávea, que por sinal vive uma situação mais negra do que o próprio urubu. Aliás, desse eu não quero nem saber, apesar de continuar me dizendo torcedor. Torcedor de araque, mas torcedor. Mas eu queria era falar do outro urubu, aquele que voa.

Enganado está aquele que pensa que os urubus não servem pra nada. Claro que quando quase atropelei um chegando ao trabalho há alguns meses atrás, esconjurei o coitado, dizendo que ele era um inútil, feio, burro, e ainda por cima suicida. Também pudera. Eu tava na minha, vindo pela estrada, passando próximo ao aterro sanitário da cidade, quando displicentemente um dos urubus que morcegavam no canto da estrada (não por causa do aterro, mas certamente por causa de algum animal morto por ali) levantou vôo em minha direção, quase se chocando contra o vidro. Só tive tempo de puxar o volante pra evitar o pior. Imagine o estrago que seria: vidro quebrado, penas e carne de urubu por todo o estofamento, e tudo salpicado com sangue. Meu e dele. Xinguei mesmo, e fui embora amaldiçoando aquelas criaturas.

Dias atrás, vi uma reportagem que mostrou o quão importantes os urubus são para uma rápida e eficiente decomposição de resíduos orgânicos. Não lembro direito do que era a fábrica, mas o fato é que um resíduo muito problemático, no caso carcaças de frango, eram submetidas à decomposição com a ajuda dos nossos amigos urubus, com o objetivo de gerar adubo. Os resíduos eram depositados em forma de pilha, já misturados com algum componente facilitador. Os urubus então acabam transformando boa parte da matéria, acelerando o processo, e fazendo com que o adubo seja formado com maior rapidez. Com isso a deposição das carcaças, que era um problema para a fábrica, passou a ser outra fonte de renda.

Taí. Depois disso, simpatizei com os bichinhos. Agora, sempre que passo por aquele trecho da estrada perto do lixão, e vejo ao longe aquela nuvem de urubus circundando os montes de lixo da cidade, desejo à eles um bom dia de trabalho, e torço pra que nenhum suicida levante vôo na minha direção.