30 de abril de 2007

A farra dos sacos plásticos

Eu continuo devendo o post sobre aborto. Se tiver alguém realmente interessado que se manifeste, porque eu não estou muito com vontade de escrever. Mas se tiver alguém querendo ler... quem sabe. Nesse meio tempo tem esse texto muito interessante sobre meio ambiente que recebi por e-mail hoje. Não sei se o texto é todo do autor, nem tampouco, se está completo. Mas, achei pertinente, por isso estou transcrevendo.

Bjs pra todos.

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André Trigueiro: pós-graduado em meio ambiente, jornalista, redator e apresentador do Jornal das 10, da Globonews, desde 1996.

“Creio que um dos primeiros presentes que recebi de meus sogros em Viena foram 2 bolsas de algodão para ir ao Supermercado. Depois compreendi". Os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanho do produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embalado num saquinho plástico.

O pior é que isso já foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plástico.. Nossa dependência é tamanha que quando ele não está disponível costumamos reagir com reclamações indignadas. Quem recusa a embalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico. Outro dia fui comprar lâminas de barbear numa farmácia e me deparei com uma situação curiosa: a caixinha com as lâminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automático, a funcionária registrou a compra e enfiou rapidamente a mísera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez. Pelas razões que explicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem.

A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o inglês Alexander Parkes inventou o primeiro plástico, em 1862. O novo material sintético reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da civilização moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plásticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes proporções.

Feitos de resinas sintéticas originadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e levam séculos para se decompor na natureza. Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos são feitos de cadeias moleculares inquebráveis, e é impossível definir com precisão quanto tempo levam para desaparecer no meio natural. No caso específico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matéria-prima é o plástico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD).

No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que já representa 9,7% de todo o lixo do país. Abandonados em vazadouros, esses sacos plásticos impedem a passagem da água, retardando a decomposição dos materiais biodegradáveis, e dificultam a compactação dos detritos.

Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, já justificou mudanças importantes na legislação - e na cultura - de vários países europeus. Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar à sacolamania (cada um levando sua própria sacola). Quem não anda com sua própria sacola a tiracolo para levar as compras é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plásticos. O preço é salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade.

A guerra contra os sacos plásticos ganhou força em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitar de volta e a reciclar seus produtos após o uso. E o que fizeram os empresários? Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Além de antiecológico, ficou bem mais caro usar sacos plásticos na Alemanha. Na Irlanda, desde 1997 paga-se um imposto de nove centavos de libra irlandesa por cada saco plástico. A criação da taxa fez multiplicar o número de irlandeses indo às compras com suas próprias sacolas de pano, de palha, e mochilas.

Em toda a Grã-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a atenção dos consumidores com uma campanha original e ecológica: todas as lojas da rede terão seus produtos embalados em sacos plásticos 100% biodegradáveis. Até dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede serão feitos de um material que, segundo testes em laboratório, se decompõe dezoito meses depois de descartado. Com um detalhe interessante: se por acaso não houver contato com a água, o plástico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza.

Não há desculpas para nós brasileiros não estarmos igualmente preocupados com a multiplicação indiscriminada de sacos plásticos na natureza. O país que sediou a Rio-92 (Conferência Mundial da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente) e que tem uma das legislações ambientais mais avançadas do planeta, ainda não acordou para o problema do descarte de embalagens em geral, e dos sacos plásticos em particular.

A única iniciativa de regulamentar o que hoje acontece de forma aleatória e caótica foi rechaçada pelo Congresso na legislatura passada. O então deputado Emerson Kapaz foi o relator da comissão criada para elaborar a "Política Nacional de Resíduos Sólidos". Entre outros objetivos, o projeto apresentava propostas para a destinação inteligente dos resíduos, a redução do volume de lixo no Brasil, e definia regras claras para que produtores e comerciantes assumissem novas responsabilidades em relação aos resíduos que descartam na natureza, assumindo o ônus pela coleta e processamento de materiais que degradam o meio ambiente e a qualidade de vida. O projeto elaborado pela comissão não chegou a ser votado. Não se sabe quando será. Sabe-se apenas que não está na pauta do Congresso. Omissão grave dos nossos parlamentares que não pode ser atribuída ao mero esquecimento. Há um lobby poderoso no Congresso trabalhando no sentido de esvaziar esse conjunto de propostas que atinge determinados setores da indústria e do comércio.

A quem interessar possa...

Balançamos, balançamos, mas NÃO caímos. Fizemos um acordo (que nos custou uma fortuna no advogado) e o moço tá consertando tudo.

Fiquem tranquilos.

17 de abril de 2007

Balança-mas-não-cai

Gente!!! Vocês não vão acreditar! A nossa casa tá caindo!

Eu não estou usando uma forma de expressão, não. A casa está caindo literalmente! Calma, calma, eu explico. Seguinte: um cidadão comprou um terreno ao lado da nossa casa e decidiu (talvez ele tenha complexo de tatu, ou alguma coisa parecida) que iria escavar para “enterrar” sua casa o máximo possível dentro do terreno. Pois bem, escavou tanto que a nossa linda casinha perdeu seu “apoio” e está pendendo pro lado (gostaram dos termos técnicos?).

“E agora?”, vocês perguntam. Pois bem. O meliante tá querendo fugir da raia e, tal qual quiabo cheio da baba, tá escorregando pra todo lado. Mas já arrumamos um super-advogado (isso existe?) pra nos defender e fazer com que o malfeitor repare seu erro.

Vamos ver, vamos ver.

Por hora, estamos parecendo o “balança-mas-não-cai”...

Bjs.

10 de abril de 2007

Médicos Sem Fronteiras

Eu sei que estou devendo um post sobre a legalização do aborto, mas ainda não consegui me inspirar para escrever sobre esse assunto tão polêmico. Mas, fazendo buscas na internet sobre o tópico, encontrei o site dos Médicos Sem Fronteiras e não pude deixar de parar para ver com mais cuidado.

Primeiro eu descobri um pouco melhor como surgiu o grupo. Na verdade, eu tinha conhecido esse nome há alguns anos atrás quando a minha cunhada tinha trabalhado em uma empresa que prestou serviço ao MSF. Mas, para ser inteiramente sincera com vocês, jamais tinha perdido um segundo para saber melhor o que estas pessoas se prestam a fazer. Logo, minha admiração por estes profissionais que decidem sair de suas casas para ajudar desconhecidos necessitados em lugares esquecidos por todos não poderia ser maior.

Em 1971, o sentimento de frustração desse grupo e a vontade de assistir às populações mais necessitadas de modo rápido e eficiente deram origem a Médicos Sem Fronteiras. A organização surgiu com o objetivo de levar cuidados de saúde para quem mais precisa, independentemente de interesses políticos, raça, credo ou nacionalidade. No ano seguinte, MSF fez sua primeira intervenção, na Nicarágua, após um terremoto que devastou o país. Hoje, mais de 22 mil profissionais trabalham com Médicos Sem Fronteiras em mais de 70 países.

Resumindo, a instituição que hoje é conhecida como Médicos Sem Fronteiras recruta profissionais, principalmente das áreas de saúde, e os envia para trabalhos humanitários em diversos locais do mundo, onde a população civil enfrenta problemas decorrentes de guerras, catástrofes naturais ou calamidades. (leia mais aqui)

A cada ano, mais de 3.000 profissionais, de mais de 40 nacionalidades, diversas faixas etárias e diferentes áreas, partem para trabalhar nos projetos de Médicos Sem Fronteiras.

Devido aos resultados alcançados pelo grupo a MSF foi agraciado com o Prêmio Novel da Paz de 1999. Este grupo leva adiante o princípio fundamental de que todas as vítimas de desastres, sejam estes de origem natural ou humana, têm direito a uma assistência profissional, fornecida da forma mais rápida e eficiente possível.

O Comitê Nobel Norueguês decidiu conceder o prêmio Nobel da Paz de 1999 a Médicos Sem Fronteiras (Médecins Sans Frontières), em reconhecimento ao trabalho humanitário pioneiro desta organização em vários continentes.
Existem alguns projetos dos MSF específicos para o Brasil. Dentre eles um que me pareceu muito interessante é o Projeto Meio Fio. De 2000 até 2004 uma equipe multidisciplinar de MSF – formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e educadores de rua – percorreu as ruas do centro do Rio de Janeiro abordando os beneficiários na própria rua, oferecendo uma assistência primária no local, e, quando necessário, encaminhando-os para os serviços existentes. (leia mais aqui)

Hoje, os Médicos Sem Fronteira são a minha família. Como é que pessoas, um grupo, uma organização não governamental acolhe com tanto carinho as pessoas em situação de rua, e trata delas? Eu tenho que ter carinho comigo mesmo para ser digno do carinho que dão para mim. Então, acho que a primeira coisa para sair desta situação é se amar, e eles me mostraram o caminho do amor”. Lísias Valério Bergo, beneficiário do projeto Meio-fio.
Exposição de fotografias “Sua Rua, Minha Vida”

Têm tanta coisa de ruim acontecendo no nosso Brasil e no mundo todo que eu acho que a gente devia se inspirar na coragem dessas pessoas que largam suas vidas para ajudar outros. É claro que não estou aqui dizendo que todo mundo tem que fazer o mesmo. Antes de mais nada é preciso ter vocação para este tipo de trabalho humanitário. Mas o que eu quero dizer é que se a gente olhar a nossa volta bem direitinho, vamos descobrir que podemos fazer muita coisa para ajudar, e não vai ser necessário nem mudar muita coisa nas nossas rotinas. Vamos tentar!! Eu vou.


9 de abril de 2007

Filmes na Páscoa

Cinema? O que é cinema? Heim? Não sei do que você está falando... Não preciso nem dizer que fazem eras que não vamos ao cinema. Acho que isso todo mundo já sabe. Fazer o que, né? Mas adoramos filmes de qualquer maneira e estamos mais do que nunca freqüentando a locadora. Na quinta-feira passada, antes do feriado, passamos por lá e alugamos um pequeno pacote com cinco filmes: três para nós dois e dois pro moleque.

E por falar nisso, vocês gostam de filmes de criança? É que eu acho que, de uns tempos pra cá, os filmes infantis estão cada vez melhores. Na verdade, alguns são mais divertidos para os adultos do que para os pirralhos. Filmes como A Nova Onda do Imperador, Madasgascar e Sherk são deliciosos, recheados de piadinhas e referências a filmes clássicos. Neste fim de semana pegamos um vale muito a pena. O nome do filme é Happy Feet (leia mais aqui) e a historinha tem como personagens pinguins que passam muita graça e mensagens legais. Além disso, alguns clássicos estão sendo relançados e as crianças de hoje estão tendo a oportunidade de ver o Dumbo voando e o Capitão Gancho às voltas com o não menos famoso Jacaré (porque vocês sabem que as crianças gostam mesmo dos vilões, não dos mocinhos... afinal o Lobo-mau é muito mais interessante que os Três Porquinho...).

Enfim... Além dos infantis, assistimos filminhos de gente grande. Vou falar um pouco sobre cada um, começando do pior pro melhor, ok?

O Sol de Cada Manha: o que o Nicolas Cage (benzadeus) estava pensando quando aceitou fazer esse filme? Heim? Alguém já viu? Se viu, me explique, se não viu, não veja. Eu adoro o moço e achei que fosse ser um filminho do tipo Homem de Família, doce e com alguma mensagem, sem grandes pretensões artísticas, eu sei, mas gostoso de assistir. No frigir dos ovos não foi nada disso. Ficou mesmo num drama que tenta ser profundo, mas só consegue ser chato. (leia mais aqui)
O Sorriso de Monalisa: eu ADORO a Julia Roberts e vejo sempre seus filmes. Mas quando olhei a capa desse filme na locadora jurava que ainda não tinha visto. Fiquei intrigada e levei pra casa. Comecei a ver e, realmente, já tinha assistido. Sem problemas, vi novamente e passei uma deliciosa tarde de sábado. Recomendo. Uma bela mensagem sobre o papel da mulher. (leia mais aqui)

Flyboys: : eu ando meio reticente sobre assistir filmes de guerra. O maridão adora, mas eu não agüento mais ver sangue escorrer da TV e aquela barulheira de tiro me ensurdecendo (acho que tô fiando velha mesmo). Mas esse eu mesma sugeri que ele pegasse. Já tinham me falado que era muito legal, e depois de dois filmes água com açúcar ele merecia algo mais “masculino”. Pois eu estava enganada sobre a temática de guerra do filme. Até tem uns tiros e algum sangue, mas o que prende no filme é a sua história e a sensação deliciosa de ver os primórdios da aviação. Tem cenas que chegam a ser surreais. Vale muuuuito a pena. (leia mais aqui)
Sem mais... Bjs.

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Atualização

E sobre a Páscoa lá em casa... bem, foi uma delícia. Tirando o fato que eu quase "decepei" um pedaço de um dedo da mão esquerda fazendo o almoço da sexta-feira... (calma! está tudo bem... nem precisei ir ao hospital). No sábado dei um longo passeio com o moleque e descansei durante a tarde, enquanto o maridão foi ajudar o pai dele na arrumação da casa nova. No domingo fomos todos pra lá, porque além de Páscoa era o aniversário do sogrão e aproveitamos um churrasco maravilhoso (debaixo de chuva, é bem verdade). Ah, e logo cedo teve a "busca dos ovinhos", com direito a muitas carinhas de surpresa. Uma delícia, em resumo. Bjs

5 de abril de 2007

Vacinação de adultos

Recentemente descobri que adulto também tem que ser vacinado. Na verdade, existe um calendário de vacinação para cada fase da vida: criança, adolescente, adulto e idoso. E a falta dessas vacinas após o fim da infância tem gerado problemas graves em relação à doenças que já deveriam estar controladas faz tempo. O ministério da saúde tem alertado sobre este problema, mas infelizmente essa informação não está chegando à população em geral.

É verdade que as doenças infantis estão sendo erradicadas, como é o caso da paralisia infantil que não apresenta um caso a mais de 14 anos. Além dessa, doenças que afligiam milhares de crianças brasileiras estão sendo controladas, como as formas graves de tuberculose, o tétano, a coqueluche, a difteria, a rubéola, a caxumba, dentre outras. Erradicou-se a febre amarela urbana e a varíola. Há três anos não é registrado nenhum caso de sarampo, doença considerada em processo de erradicação no Brasil. (leia mais aqui)

Mas o que está acontecendo é que os adultos não conhecem a necessidade de imunização após a infância e deixam de tomar vacinas importantes, que precisam ser repetidas periodicamente, ficando expostos à doenças como tétano, sarampo, rubéola, caxumba e hepatite B. Como as crianças estão sendo constantemente imunizadas com respeito a essas doenças e os adultos estão susceptíveis por falta de vacinas, o segundo grupo tem apresentado maior número de casos, incluindo um aumento da taxa de óbitos.

Mais grave ainda é a situação da falta de vacinação de mulheres em idade fértil, pois existem duas doenças que podem causar danos graves ao bebê. Uma delas é o Tétano Neonatal, que pode causar até a morte da criança. Outra é a rubéola na gestante que pode acarretar má formação do feto e o conseqüente aborto, ou a Síndrome da Rubéola Congênita, uma série de alterações irreversíveis na formação do feto. Descobri isso recentemente, quando fui orientada pelo pediatra do meu filho a tomar as vacinas necessárias. Lendo sobre o assunto fiquei sabendo que todas as mulheres que deram à luz ou que sofreram aborto devem ser vacinadas contra rubéola. Eu passei pelas duas situações, uma à quase 3 anos e outra à poucos meses, e ninguém me falou sobre isso. Na verdade, a rubéola é um dos grandes causadores de aborto e eu também não sabia.

O que está faltando então? Acho que é preciso que o governo, que possui um Programa Nacional de Imunização que funciona tão eficazmente no que diz respeito à vacinação de crianças, se dedique mais às campanhas de conscientização dos adultos, e dos médicos também, diga-se de passagem. Porque o meu ginecologista, que é ótimo e em quem eu confio plenamente, não me falou sobre as vacinas e eu não sei dizer o porque. Mesmo o pediatra do meu filho, que recomendou que eu tomasse as vacinas, me aconselhou a esperar mais 3 meses para engravidar novamente quando na verdade, é preciso aguardar apenas 30 dias para tentar outra gravidez. Enfim, falta mesmo é esclarecimento (leia mais aqui).

Depois de tudo isso, eu só posso recomendar uma coisa: procurem o posto de saúde mais próximo da sua casa, leve seu cartão de vacinação (se você tiver) e faça a sua parte. Não vou dizer que não dói. Dói um pouquinho sim! Mas vale a pena. Eu já estou imunizada e o maridão também.

Um grande bj.

4 de abril de 2007

Ministro da Saúde defende legalização do aborto e ampliação da licença maternidade

Duas discussões super-pertinentes estão surgindo no rastro da posse do novo ministro da saúde, José Gomes Temporão. As duas estão ligadas aos direitos da mulher e devem dar o que falar nos próximos tempos. Uma delas é a legalização do aborto. Mas esse assunto eu prefiro deixar para um outro post. Acho que vai dar muito pano pra manga e acredito que esta discussão deve ser feita separadamente. A segunda diz respeito à ampliação da licença maternidade de 120 dias (4 meses) para 180 dias (6 meses), com o intuito de garantir a amamentação até o sexto mês de vida da criança. Segundo o ministro, a iniciativa da senadora Patrícia Saboya Gomes (PSB-CE) com a criação do projeto de lei PLS 281/05 (leia o texto do projeto aqui) deve ser apoiada pelo governo. Na verdade, o presidente Lula já se mostrou favorável ao tópico. Além disso, em adição ao projeto de lei da senadora, o relator e senador Paulo Paim (PT-RS) propôs que o benefício seja estendido às servidoras públicas federais.

Sobre este tema já são mais do que conhecidos os benefícios da amamentação (leia mais sobre o assunto aqui e aqui) e é indiscutível a tranqüilidade que esta ampliação irá trazer para as mães que estão amamentando. Eu vivi esta situação e sei o quanto foi difícil continuar amamentando meu bebê até o sexto mês, depois de retornar ao trabalho. O primeiro problema que enfrentei foi a diminuição na produção de leite. Coisa mais do que comum, uma vez que o bebê não suga o leite durante o tempo que estamos no trabalho, e eu não consegui me adaptar às bombas de sucção para armazenamento do leite. Como resultado, meu filho ficou mamando apenas nos momentos em que eu estava em casa (de manhã, no almoço e à noite). Chorei muito e fiquei muito triste por saber que durante um grande número de horas ele não podia mamar. Graças a Deus ele se começou a tomar suco durante estes períodos e não largou o peito por causa disso. Mas poderia ter sido diferente. Agora estamos pensando em ter outro bebê e não tenho como negar que a possibilidade de poder amamentar por seis meses em casa me deixa muito feliz. Espero que eu possa usufruir desta lei. Mas mesmo que não possa estou muito esperançosa de que outras mamães poderão fazê-lo.

Mas existe o outro lado da moeda, e não falar sobre ele não vai fazer que o mesmo deixe de existir. As empresas sofrem financeiramente com o afastamento de suas funcionárias por longos períodos. É só a gente fazer o exercício de se colocar na posição de um dono de uma pequena empresa pra imaginar o quanto é complicada a gestão desta situação. Ele não tem a funcionária lá, não tem dinheiro para contratar outra e tem o mesmo trabalho que precisa ser executado. Complicado, muito complicado. Mas eu tenho convicção de que mesmo este prejuízo é válido, porque se tivermos nossas crianças saudáveis podemos trabalhar muito melhor depois, sem faltas para levar os filhos ao médico toda hora, por exemplo. Além disso, o projeto de lei em questão prevê incentivos fiscais para a empresa, de forma que este prejuízo financeiro possa ser minimizado. Estou muito esperançosa de que dessa vez as coisas caminhem porque acredito que estejam sendo feitas de forma responsável.

Essas notícias me fizeram pensar que nosso país tem muitos problemas, é verdade, mas que quando aparece uma pessoa disposta a enfrentar esses problemas de peito aberto conseguimos avanços significativos enquanto nação. Eu não discuto política, não entendo política e, ultimamente, só tenho tido raiva das poucas coisas que ouço sobre os políticos. Mas é verdade que existem os que trabalham e lutam pelos direitos dos cidadãos. Eu não sei dizer se as pessoas que citei neste post são íntegras e maravilhosas, porque não as conheço, nem como pessoas, nem com políticos, mas estou muito orgulhosa de poder dizer aqui que elas estão fazendo algo de produtivo com o cargo que receberam do povo.

Um grande bj.

P.S.: Como não podia deixar de ser, esse assunto também está sendo discutido pela Denise. Tenho que dizer que escrevi meu texto depois de ler as reflexões dela. Leiam também!!

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Atualização

A Sociedade Brasileira de Pediatria está fazendo uma campanha linda para a ampliação da licença materindade com o título "Licença Maternidade: 6 meses é melhor!". Para saber mais clique aqui.


Eles também tem campanhas anuais de incentivo à amamentação. Abaixo está o vídeo da campanha de 2006 que teve como madrinha a atriz Cássia Kiss.


Layout

Eu sei, eu sei... Isso aqui tá parecendo a "casa da mãe Joana". Já mudei o visual umas duzentas vezes... Mas tá difícil de encontrar alguma coisa realmente legal. Enquanto isso a gente vai mudando pra não enjoar.